segunda-feira, maio 14

Impasse

Cumpriram-se mais três dias de greve dos médicos (08, 09 e 10 de Maio). 
Segundo os sindicatos, a adesão esteve próximo dos 100% (3.º dia).link A mim pareceu-me chocha. Senão vejamos. 
Ao segundo dia de greve os sindicatos médicos queixavam-se da insensibilidade dos governantes (Adalberto, Centeno e Costa): «Mas contrapondo a este enorme descontentamento dos médicos perante a situação atual da Saúde, assiste-se à inqualificável insensibilidade do Ministro da Saúde, do Ministro das Finanças e do Primeiro-Ministro que não aceitam as múltiplas propostas sindicais para negociar.» link
Ao terceiro dia os sindicatos exigiam «o início imediato do processo negocial, com presença dos Ministros da Saúde e das Finanças, demonstrando-lhe que não se aumentam os gastos, antes pelo contrário. Pondo fim à insensibilidade política para a resolução dos problemas dos utentes e dos médicos.» link 
Uma saída fraca após três dias de luta. 
Os Sindicatos parecem ter perdido discernimento. Os tempos são outros. O mundo já não vai acabar, nem o governo estremece quando os senhores doutores decidem fazer greve. Por outro lado, o caderno reivindicativo, tão extenso e recheado, não ajuda nada:  “Cada vez há mais motivos para protestar. Têm todos os motivos e mais alguns, tanto que é difícil eleger os principais” (bastonário da OM). link
Sem prioridades claras, molhos de reivindicações dispendiosas, os sindicatos correm o risco de serem tomados por glutões  à vista da maioria dos cidadãos portugueses. 
Falta de talento em conduzir a luta, do lado dos sindicatos; insensibilidade (?) ou conhecimento das fragilidades do adversário, do lado do governo, fazem com que este estado de coisas ameace prolongar-se sine dia, em prejuízo dos utentes mais pobres que não têm cartão de acesso aos cuidados do privado. 
 Nota: O SNS deixou de preencher as expectativas dos seus profissionais. Definitivamente. E, assim, perdeu-se o amor à camisola. A Saúde transformada em negócio, acessível só para alguns, está aí. Por culpa de todos nós.

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