domingo, julho 6

2017-2018, o limite

Mas quando é que haverá condições políticas para se avançar para um qualquer esquema desses?
Estamos a falar num horizonte de três-quatro anos. E porquê? Porque todos os Estados-membros que sentem a sua posição identitária nacional em jogo vão sentir essa posição ameaçada num horizonte de três ou quatro anos. A França vive excessivamente obcecada com as eleições presidenciais. Em Espanha, o problema catalão terá grandes repercussões em termos da relação com a Europa. E isso é uma questão de três ou quatro anos. A Itália chegou ao fim de qualquer possibilidade de compromisso político. Nada mais interessante do que a forma como Mario Monti foi despachado de carrinho; o Monti e o Lucas Papademos [ex-primeiro-ministro grego] foram ensaios para saber se seria possível instalar governos acima dos partidos apoiados na racionalidade europeia tal como a interpreta a Comissão, o BCE e Berlim. Não foi possível e o fracasso mais claro é o do Monti. Então e agora quem é que é o Monti dois? O que aparece é o Renzi, que diz: eu faço reformas, mas dêem-me ovos para fazer omoletes.
Mas também foram depositadas grandes esperanças em François Hollande…
Mas entre o Renzi e o Hollande há uma grande diferença: uma coisa é o verbo, outra é a acção.
Está convencido de que neste espaço de tempo se irá avançar para reestruturações de dívida na Europa e em Portugal?
A reestruturação não é um problema de se saber se irá ser feita. O problema é saber quando e como será feita, porque há várias modalidades possíveis. O quando não está muito afastado. Temos todas as condições para dentro de três ou quatro anos estarmos numa situação aflitiva.
 Porquê?
A persistir este pensamento mágico de que basta escrever num papel que tudo se vai resolver amanhã e agora aperta-se mais um bocadinho, chegamos a 2017 ou 2018 ao limite máximo que é possível suportar.
E nessa altura a Europa já terá mudado para aceitar uma reestruturação?
Não há maior lucidez do que a de um sujeito quando caminha para o cadafalso. As pessoas, desde o homem comum até aos políticos, têm hoje uma visão do que é o espaço da sua própria exigência pessoal que é muito diferente do que era antes da crise. A cultura de rigor orçamental começou a entrar em países como Portugal. Está no começo, tem muitas falhas; não digo que teve uma mudança de 180 graus, mas teve à vontade uma mudança de 120.
JP 06.07.14 link

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domingo, dezembro 9

Saúde e revolução digital

... Os sistemas de saúde europeus foram pensados para lidar com um modelo de tratamento intensivo, assente em intervenções cirúrgicas e cuidados de emergência, que implica internamento. Hoje em dia, porém, a maior parte dos quadros clínicos consiste em doenças degenerativas e prolongadas. O número de pessoas que sofre de uma ou várias doenças crónicas tem vindo a aumentar - tendência que deverá manter-se devido ao envelhecimento da população. As pessoas com este quadro clínico nem sempre precisam do mesmo padrão de assistência médica. Muitas preferem viver de forma autónoma em sua casa, evitando constantes  deslocações ao médico.
É, pois, fundamental adaptarmo-nos, tendo presente que a revolução digital nos pode ajudar: seja através de equipamentos de monitorização remota, que permitem avaliar e supervisionar o estado de saúde dos pacientes em sua casa e reportar os resultados ao hospital, seja através de soluções de telemedicina, que disponibilizam aconselhamento médico  especializado não presencial, ou ainda de robôs que auxiliam nas tarefas domésticas ou de simples aplicações móveis que conferem ao paciente a possibilidade de vigiar e controlar o seu estado de saúde. Não é ficção científica, as soluções já existem e muitas delas são "made in Europe". Não só garantem melhor assistência e a mais pessoas, como libertam recursos humanos nos hospitais. A longo prazo, também poderão traduzir-se em preços mais apelativos e em maior eficiência nos sistemas de saúde, assim como ajudar a construir uma indústria para o futuro.
Contudo, existe um grande fosso entre a tecnologia ‘eHealth' e os pacientes. O sector tem hesitado em aderir à revolução digital, mantendo-se fiel aos modelos e métodos tradicionais, e a classe política tem optado por não interferir num sistema que funcionou bem no passado.
O novo Plano de Acção ‘eHealth' é lançado hoje e nele se identificam diferentes formas de aplicar os benefícios digitais aos serviços de saúde para garantir melhor assistência aos nossos cidadãos. O slogan é muito simplesmente abrir  caminho à criação de serviços  de saúde mais eficientes, seguros e centrados no paciente. Para isso  é necessário dotar os pacientes  e os profissionais da Saúde de competências que lhes permitam usar as novas tecnologias, bem como incutir-lhes confiança nas mesmas. Assim como é necessário conectar equipamentos para garantir a intercomunicação e evitar repetições e desperdício, investir em investigação para aperfeiçoar a medicina personalizada do futuro, dar a conhecer e fomentar a confiança nas vantagens da ‘eHealth' para os pacientes, profissionais da Saúde e sistemas de saúde em geral, e apoiar as pequenas empresas para que estas possam fornecer as inovações de que precisamos.
Neelie Kroes, Saúde e revolução digital  link

`Dar aos doentes um papel mais ativo: um futuro digital para os cuidados de saúde´ link
`eHealth action plan 2012-2020: Frequently Asked Questions´ link

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quarta-feira, outubro 17

Demissão

John Dalli, comissário para a saúde e defesa do consumidor, demitiu-se na sequência de uma investigação conduzida pelo gabinete de luta antifraude da UE(OLAF). link link 
O relatório da OLAF não avança “qualquer evidência” sobre a participação de Dalli na tentativa de tráfico de influências, mas considerou que ele tinha conhecimento dos factos relacionados com o negócio da empresa sueca, a Swedish Match. link 
Em Portugal, este senhor comissário, depois deste episódio,  arriscava-se a ser eleito/nomeado para qualquer cargo político importante (ao mais alto nível).

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terça-feira, junho 8

Cuidados transfronteiriços

Os ministros da Saúde, reunidos no Luxemburgo, aprovaram hoje (08.06.10) a proposta de directiva, sobre mobilidade de doentes no espaço da UE. link link link
Portugal votou contra . As justificações da Ministra da Saúde
link

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segunda-feira, outubro 13

Sempre em pé


No dia 26 de Abril de 1974 Portugal, diz quem se lembra, estava cheio de revolucionários. Muitos deles tiveram que vasculhar no seu passado para recuperar todo e qualquer gesto minimamente anti-‘establishment’ para adaptar os CV’s à nova agenda política do país.link

Hoje com a crise financeira passa-se um pouco o mesmo. Há políticos que nomearam, elogiaram e premiaram os banqueiros, enalteceram as virtudes da desregulação, mas surgem agora enojados pela “barbárie” que é o capitalismo. Ouvir George Bush falar de “ganância na Wall Street”, Nicolas Sarkozy a querer “refundar o capitalismo” ou Jean-Claude Juncker, cujo país que lidera é um paraíso fiscal e do sigilo bancário, afirmar que o seu grau de consideração pelos banqueiros é agora “próximo do zero”, dá vontade de perguntar: onde estavam eles no “25 de Abril”?

Um dos casos emblemáticos é o dos salários dos gestores/directores, cujos valores são exorbitantes e, pior, cujos prémios – ligados aos resultados de curto-prazo – contribuem para que tenham assumido riscos irresponsáveis. A Comissão Europeia, que se acostumou a viver com o rótulo do neo-liberalismo, propôs em 2004 um quadro de referência para tornar os salários dos gestores mais transparentes, sobretudo para os accionistas. Apenas um país o adoptou. E no entanto todos os ministros e líderes europeus andaram no último ano com uma linguagem marxista a diabolizar na praça pública a gula salarial e a tratar os gestores (em abstracto, claro) como sanguessugas do sistema.

Também surpreende o papel de organizações como o FMI, que em vez de desempenhar adequadamente o seu papel de supervisor do sistema financeiro internacional, se especializou em doutrinar as economias emergentes com pacotes de desregulação, que se revelaram por vezes um activo tóxico, e agora vem dar lições de moral à Europa por agir de forma descoordenada.

Em Bruxelas, o comissário Charlie McCreevy, contrariando o apelo de governos e do Parlamento, nunca viu “necessidade” nos últimos anos em interferir nos mercados desregulados, preferiu proteger a “criatividade” do sector. Durão Barroso explica agora que os “estados mais relevantes” não o teriam aceite antes desta crise e reconhece que “precisamos de repensar as nossas regras de supervisão para os mercados financeiros, incluindo os ‘hedge funds’ e capital de risco”.

Como parece estar de novo na moda, recorde-se que foi Keynes quem terá dito: “quando os factos mudam, eu mudo de opinião”. Mas será que mudaram mesmo de opinião ou o mercado desregulado vai ali e já volta?

Luís Rego, DE 13.10.08
Excelente.

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