sexta-feira, outubro 1

(Absolutamente) extraordinário…

foto portal da saúde: são rosas, senhor!
A ministra da Saúde afirmou esta quarta-feira que há um recurso «excessivo» a anti-depressivos e que é «claramente necessário» moderar o seu acesso, duas semanas depois de o Governo ter anunciado a subida de escalão da venda deste tipo de medicamentos.

“No caso das alterações de comparticipações dos medicamentos anti-depressivos, é muito clara a intenção do Governo em ir muito além de qualquer medida economicista.
Acho que este é um exemplo paradigmático de um grupo de medicamentos cujo uso é excessivo e em que é claramente necessário moderar o acesso”, afirmou Ana Jorge durante a tomada de posse do novo conselho executivo do Infarmed...

A senhora ministra que é médica, em boa verdade, esqueceu-se de fazer o que devia – política, tendo optado por “medicalizar” a acção ministerial de que o exemplo mais paradigmático foram as “consultas” em directo na TV durante a pseudo-epidemia gripal, que gastou dinheiro à tripa-forra com vacinas inúteis (agora em saldo) vem agora dizer que existe um uso excessivo de anti-depressivos. Como se trata de medicamentos sujeitos a receita médica presume-se que se trata de um acto de incompetência ou de negligência dos seus colegas prescritores. Vai daí em vez de corrigir os maus hábitos prescritivos “castiga” todos os cidadãos com uma brutal baixa de comparticipações optando por penalizar os doentes cuja indicação terapêutica seja rigorosa.

Não sabemos se estas ideias vêm da senhora ministra ou se lhe são sugeridas por essa equipa extra-estelar que agora habita o Infarmed e que, em matéria de “política do medicamento” (com o aparente apoio do SE) se afigura pior que o Lucky Luke disparando em todas as direcções mais rápido que a própria sombra.

Quanto à variabilidade discursiva da senhora ministra e à sua estonteante dinâmica parece que é uma doença que se pega e estará a contaminar muitos membros do governo. Que o diga o inenarrável ministro das obras públicas. Um verdadeiro estudo de caso…

Adelaide Costa

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8 Comments:

Blogger ochoa said...

O MS é sportinguista

Dificilmente este Governo cumprirá a legislatura. E se não remodela a equipa do MS dificilmente chegará ao Natal.

12:13 da manhã  
Blogger Magistral Estratega said...

O que me admira é que não venha ninguém do Infarmed defender a honra do instituto...

Isto porque dizer que o genérico é diferente do "de marca" é chamar-lhes incompetentes.

Como é que alguém ousa falar disto em Portugal e não se oiça ninguém credível dizer o contrário?

4:46 da manhã  
Blogger Tavisto said...

Depressão "atira" mulheres para a reforma antecipada

Depressão provoca cerca de 1200 mortes por ano, segundo um estudo. Uma doença que atinge 20 milhões de europeus todos os anos

A depressão foi a causa que levou ao maior número de reformas antecipadas de mulheres em Portugal no ano passado, segundo dados da Caixa Geral de Aposentações. Os números indicam que das 904 mulheres que se aposentaram precocemente, 160 retiraram-se por depressão. O número foi significativamente inferior no caso dos homens. Apenas 25 dos 606 que se reformaram tiveram como causa a depressão. Estes dados foram revelados ontem, durante um encontro promovido pela Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental para assinalar o Dia Europeu da Depressão que se assinala hoje.

Em Portugal, esta doença atinge 20 por cento da população e provoca 1200 mortes por ano, segundo um estudo citado por Jorge Félix, economista da Saúde que abordou, neste encontro, alguns dos aspectos económicos menos visíveis da depressão.

O aparente peso das doenças depressivas na sociedade portuguesa não pode, contudo, levar ao abuso do consumo de antidepressivos, considerou a ministra da Saúde, Ana Jorge, que, em meados deste mês, anunciou um corte nos medicamentos comparticipados, o que irá traduzir um aumento do preço dos antidepressivos. Ana Jorge frisou que esta medida não tem objectivos meramente economicistas, mas sim de "maior racionalidade e maior justiça". No seu entender, os antidepressivos constituem "um exemplo paradigmático de um grupo de medicamentos cujo uso é excessivo e em que é claramente necessário moderar o acesso", diz a ministra.

"É um erro", considera o médico José Manuel Jara, psiquiatra no Hospital Júlio de Matos, em Lisboa, que critica o facto de os antidepressivos serem colocados no escalão C dos medicamentos, a par dos ansiolíticos e abaixo dos anticoncepcionais. Sobretudo, por uma questão de princípio, a mesma que levou à criação de uma petição nos anos 90 contra a atitude de remeter a Psiquiatria para o escalão mínimo. E para sobrevalorizar o útil em relação ao económico. Considerando que não há "exagero" no consumo destes medicamentos, José Manuel Jara considera que a opção da ministra, além de se traduzir numa "desqualificação", é um "erro". Porque os antidepressivos "não geram dependência" e são medicamentos "mais abrangentes" do que, por exemplo, os ansiolíticos, diz, explicando que "têm menos efeitos adversos e vão mais à raiz da doença e não tanto aos sintomas". Os efeitos desta medida política vão prejudicar, sobretudo, os doentes mais graves, que vão ter de pagar mais pelo seu tratamento, critica Jara.

A passagem dos antidepressivos para outro escalão também já foi criticada por João Almeida Lopes, da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma), que salientou o facto de os utentes irem "pagar o dobro" em cerca de "25 milhões de prescrições".

As consequências económicas da depressão são "enormes", demonstrou Jorge Félix no encontro de ontem. Em 2004, o custo anual total da depressão na Europa foi estimado em 118 mil milhões de euros. "A maior parcela da factura da depressão para a sociedade, cerca de 64,4 por cento, está relacionada com a incapacidade, perda de produtividade no trabalho, (incluindo a reforma antecipada), mortalidade prematura devida ao suicídio e aumento do risco de morte noutras patologias associadas à depressão (custos indirectos)", explicou Jorge Félix.n

Paula Torres de Carvalho



Haverá um consumo excessivo de antidepressivos, como afirma Ana Jorge, ou, como sugere a notícia, uma necessidade crescente de os prescrever?
Esperemos não ter de ouvir dentro de algum tempo um responsável político vir dizer “há um recurso excessivo ao suicídio sendo claramente necessário moderar o seu acesso.

9:09 da manhã  
Blogger Vareja said...

Meu Caro Magistral Estratega

Esta claro que o objectivo e acabar com os genericos no actual modelo restando:

a) 3 multinacionais de genericos
b) as filiais de genericos das multinacionais de originadores (4)

Abraços

10:22 da manhã  
Blogger e-pá! said...

"Curta alegremente a sua depressão..."

A desastrada boutade de Ana Jorge acerca do recurso "excessivo" a anti-depressivos [até parece uma das tiradas de Óscar Gaspar]...sugerem as seguintes [im]pertinentes interrogações:

- A baixa record do nível de confiança dos consumidores portugueses [o mais baixo dos últimos 20 anos] e o pessimismo galopante quando as perspectivas económicas caiem a pique [só o PM Sócrates continua optimista... o que, também, é patológico], acrescidos dos 700.000 desempregados [muitos de longa duração], só têm reflexos nos mercados ou mexem, também, com o equilíbrio emocional, psicológico e físico dos cidadãos?

- Por ventura o MS desconhece que - na Europa - em 2004 [vivendo uma moderada depressão económica] gastavam-se cerca de 250 €/habitante/ano, no tratamento desta doença?

- Acaso os portugueses estarão à beira de um "ataque de nervos" ou vivem [convivem] com um quadro depressivo colectivo?

- Quem entre nós não tem presenciado à sua volta quadros de humor à beira da explosão, homens e mulheres consumidos por profundas angústias, pessoas vítimas de uma dramática sensação de vazio e carregando uma pesada tristeza, mostrando total incapacidade para sentir [viver ou conviver] alegrias ou de procurar prazer?

A "solução MS - medicamentos 2010" que poderia chamar-se "Curta alegremente a sua depressão!" [até podia enquadrar-se na próxima campanha presidencial] será, então, atacar a carteira desses cidadãos, para não terem disponibilidade para sentirem a doença [uma espécie de terapia ocupacional]. De facto, as estatísiticas mostram que muitos [mais de 1 milhar/ano?] deixam de a ter: - suicidam-se!.

- Vai o MS intensificar e abusar do recurso às bastardas penalizações moderadoras [mudanças de escalão comparticipativo], com seráficas e hipócritas invocações de "racionalidades" ?...

- Ou, para andarmos "down", já não nos bastam os sucessivos e intermináveis[!] PEC's?

11:12 da manhã  
Blogger Joaopedro said...

Desculpem ter que baixar o nivel. Mas já perdi todo o respeito e paciência com esta senhora ministra da saúde.
Mas ninguém vê neste pobre país que a ministra da saúde é uma perigosa anedota.

8:20 da tarde  
Blogger tambemquero said...

“É um enorme ruído para uma questão que é secundária”, afirmou Manuel Pizarro no Porto, à margem da sessão comemorativa do décimo aniversário da Unidade de Saúde Familiar Serpa Pinto.
O governante reconheceu que as alterações na comparticipação dos medicamentos vão ter um “impacto desagradável” nos doentes, mas acusou “interesses instalados”, numa alusão às farmacêuticas, de mais uma vez estarem a criar “ruído” em torno de uma matéria que lhes desagrada.

“O essencial é o que vai acontecer nas farmácias a partir de 15 de Outubro”, afirmou, salientando que “já terça ou quarta-feira a ministra da Saúde tinha anunciado que as alterações entrariam em vigor em 15 de Outubro”.
O decreto-lei publicado sexta-feira em Diário da República determina que entra em vigor hoje o novo sistema de comparticipação dos medicamentos, mas o Ministério da Saúde já veio afirmar que a entrada em vigor só acontecerá em 15 de Outubro, porque falta publicar duas portarias.

Face a esta contradição, a Associação Nacional de Farmácias considerou sexta-feira que a política do medicamento “está à deriva” e acusou o Ministério da Saúde de “permanentes avanços e recuos”.

Também o PSD acusou o Governo de “desnorte total” e o BE pediu esclarecimentos ao executivo sobre se avança ou não com a anunciada redução de seis por cento do preço dos medicamentos.

Ainda sexta-feira, ao final do dia, o Ministério da Saúde esclareceu que os artigos do decreto-lei sobre as alterações de comparticipação dos medicamentos só entram em vigor a 15 de Outubro e não sábado como está escrito no diploma do Diário da República.
“Os artigos do Decreto-Lei publicado hoje [sexta-feira] como o n.º 106-A/2010, referentes às alterações do escalão A de comparticipação (95 para 90 por cento) e a alteração do regime especial (bonificação de 5 por cento) para os idosos carenciados, tem implícita a necessidade de regulamentação própria de outras medidas, para alcançar o efeito combinado de baixa de preços de 6 por cento e de alteração do regime de comparticipação”, afirma o ministério numa nota enviada à agência Lusa.

Na nota, o Ministério da Saúde sublinha ainda que “as alterações a que se referem estes artigos entram em vigor em simultâneo com a regulamentação de que depende”.
Para que o novo pacote do medicamento fique completo, falta ainda publicar uma portaria que reduz administrativamente em seis por cento o preço global dos medicamentos e outra que altera o escalão de comparticipação de alguns tipos de remédios, com anti-ácidos ou anti-ulcerosos.

JP 02.10.10

8:27 da tarde  
Blogger e-pá! said...

Medicamentos: a “pressão” dos mercados…

O British Medical Journal [BJM], na sua edição de 30 Setembro de 2010 [BMJ 2010; 341: c5050], levanta um candente problema sobre uma eventual promiscuidade entre o marketing farmacêutico e a Medicina. (http://www.bmj.com/content/341/bmj.c5050)

O exemplo deste “novo rumo” da investigação farmacêutica é uma criação de uma “nova entidade clínica” – a disfunção sexual feminina.

A estratégia é desenvolver o consumo de medicamentos para situações que só com muita abertura de espírito [aos mercados] vão de encontro uma individualidade nosológica, autónoma e cientificamente fundamentada.
Distúrbios [colaterais] que estão relacionados com situações clínicas há muitos anos individualizadas [e reconhecidas pelo “mundo científico"] são apresentados como novas entidades clínicas.
Inventam-se “novas” doenças que “justificam” novos fármacos ou, então, o alargamento das indicações de “velhos” medicamentos.
De facto, perante uma mulher profundamente deprimida, que perdeu o interesse pela vida e cuja libido desapareceu […em consequência da mencionada depressão] é “fácil” antever uma “disfunção sexual feminina”
Mas há o pior. Os “cientistas” envolvidos nestas investigações não passam de quadros técnicos [consultores] da IF ou, paralelamente, têm interesses económicos daí imanentes. Por essa razão tornam-se mais “sensíveis” à existência de “novas” doenças, logo, de inovadoras terapêuticas. Já estão previamente sensibilizados para o mercado, para o lucro.
Resta, finalmente, para completar o processo, “educar” o sector médico desenvolvendo acções científicas de sensibilização e formação, cautelosamente “comandadas” pela IF, ou sobre o seu alto patrocínio.
Esta vertente investigacional subsidiária [contaminada] de modernos esquemas de marketing coloca novos problemas.
Dada a dificuldade na regulação do mercado terapêutico [demasiado técnico] só resta à comunidade científica – sem conflitos de interesses - questionar a metodologia com que a Ciência Médica define e reconhece as novas entidades clínicas e, posteriormente, “aceita” e recomenda esquemas terapêuticos que a IF pressurosa se apressa em colocar no mercado…
Nos tempos que correm temos um mercado – fora de qualquer controlo – em permanente e enviesada expansão, até formar uma “bolha” e implodir, arrastando neste “estouro”, a própria IF e a credibilidade científica da investigação médica.
Ninguém lucrará com esta cascata de inconformidades. Será, preventivo e cautelar – para todos, incluindo os doentes - apelar [lutar] pela transparência, aos procedimentos éticos, desde já.
É que perdida a credibilidade dificilmente se a reconquista.

12:38 da tarde  

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