terça-feira, setembro 20

Falência dos Hospitais do SNS

Os hospitais vivem tempos especialmente dificéis.
Paulo Macedo,
assumiu que 14 hospitais estão em falência técnica. Manuel Teixeira, refere, hoje, em entrevista ao DE
link que a transferência do próximo Orçamento do Estado para a Saúde diminuirá cerca de 600 milhões de euros. Para ajudar à festa a Troika, na recente avaliação do programa, considera que «os hospitais-empresa põem em causa o cumprimento das metas do memorando e, consequentemente, a libertação de futuras tranches de financiamento.»

A situação dos Hospitais do SNS é desesperada com as dívidas de muitos meses a provocar quebras de fornecimento de material de consumo clínico e medicamentos, enquanto o Estado, impávido, não dá indícios de querer pagar as somas astronómicas que deve aos hospitais.
link

No terreno, as administrações dos hospitais, manietadas pelas mais diversas proibições, fazem o que podem frente aos credores sem esquecer a execução dos duros programa de cortes de despesa impostos pela tutela. Nem descurar a melhoria da qualidade e do acesso. Como explica Manuel Teixeira na referida entrevista: "existe espaço para ganhos nas duas frentes: diminuição da despesa e aumento da qualidade e do acesso."(apetece dizer uma asneira)

Tudo isto antes do estudo terrorista de José Mendes Ribeiro prestes a sair.

A quem aproveita o caos reinante? Aos do costume. Aos que espreitam a oportunidade impar para tirar partido do momento histórico que atravessamos e dar a volta ao sistema.
Paulo Macedo, cumprida a missão, poderá regressar descansado ao seu lugar de banqueiro .

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4 Comments:

Blogger Entre coutos e coutadas said...

PREPARAR O REMATE
Para quem não saiba, o conceito de "remate", na caça, diz respeito ao acto de dar morte a um animal ferido, agarrado ou encurralado pelos cães. Pode ser feito com arma de fogo, mas tradicionalmente é praticado à faca.
Transpondo este conceito para a nossa coutada da Saúde, é o acto que se avizinha aos Conselhos de Administração, Directores Executivos de ACES e Conselhos Directivos de anterior nomeação Socialista na Saúde. De facto, ao ler notícias como proibição de contratos (link), ou menos 600 milhões orçamento SNS (link), só me vem à cabeça o triunvirato liberal que compõe o nosso Ministério da Saúde, a amolar as facas.
Todos sabem que esta medida só visa apressar a debandada geral de Administradores da oposição, uma vez que os boys laranjas já ardem de impaciência pelas cadeiras. Só as indemnizações fazem retardar o remate da rês e por isso é necessário criar um clima de insustentabilidade gestionária.
Isto foi bem notório no discurso de Paulo Macedo, ao confrontar os administradores hospitalares com a necessidade de cortes nos custos operacionais de 10%, ameaçando que ou os actuais fazem, ou arranjará quem faça.
Contudo, ninguém no seu perfeito juízo, acredita que as futuras administrações laranja, terão as mesmas regras por parte do Ministro. Nessa altura, obviamente serão adoptados critérios mais flexíveis, para dar condições a que estas brilhem, perante os vilões dos antecessores e o seu "vergonhoso" défice de objectivos.
Claro que é necessário alguém explicar a Paulo Macedo, que o remate se costuma fazer antes de esfolar a peça e não ao contrário, como está a acontecer...!

12:43 da manhã  
Blogger Sasseti said...

Manuel Teixeira há muito tempo que entrou em orbita. Certos dirigentes gostam ( ou precisam ) tanto dos lugares que não hesitam em reinventar a história nem a ficcionar a realidade....O pior e que isto vai acabar muito mal. Infelizmente muito mais cedo do que tarde.

1:04 da manhã  
Blogger tambemquero said...

Centros hospitalares criados pelo anterior Governo em Abril estão em gestão corrente, o que impede poupanças de "centenas de milhões". Ministério diz que a solução está para breve.

Há quase meio ano que os seis novos centros hospitalares esperam a nomeação dos respectivos conselhos de administração. Os gestores de cada unidade mantêm-se nas mesmas funções, mas admitem que "não têm legitimidade para tomar decisões conjuntas sobre o centro". Este impasse impede cortes nas despesas que "teriam um impacto de centenas de milhões de euros", diz ao DN Pedro Lopes, presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares.
Os gestores de cada uma das 14 unidades envolvidas esperam que haja uma solução em breve para tomar medidas relativas no centro, como compras centralizadas, escalas comuns de pessoal e até a concentração de serviços. Outro exemplo é o da fusão de urgências, laboratórios ou outros serviços em duplicado. link

DN 20.09.11

9:28 da tarde  
Blogger tambemquero said...

Transplantes renais poupam milhões de euros ao Estado

A actividade de transplantação custa muito dinheiro. Porém, tratar os doentes nos casos de insuficiência renal grave é ainda mais caro. Um estudo realizado no Hospital Geral de Santo António (HGSA), no Porto, que será publicado em breve na revista Clinical Transplantation, reforça este facto após uma análise aos custos dos transplantes renais versus diálise no serviço desta unidade hospitalar.
Contas feitas, um doente renal que tenha recebido um transplante e esteja estável pode representar uma poupança de 157 mil euros ao fim de dez anos, quando comparado com uma pessoa que esteja a fazer diálise. Multiplique-se isso pelos 573 transplantes realizados em 2010 em Portugal e chegamos a uma poupança de quase cem milhões de euros.
O impacto financeiro de um transplante é claramente superior ao de um tratamento de hemodiálise se tivermos em conta os primeiros anos de intervenção. Porém, passados 32 meses, o custo da diálise ultrapassa claramente os gastos que se têm com um doente que recebeu um transplante – que são sobretudo os custos associados à medicação com imunossupressores, que impede a rejeição do órgão (e que geralmente são apenas necessários nos primeiros anos após o transplante) e consultas.
Segundo as contas dos especialistas do HGSA, o custo anual da diálise ronda os 28 mil euros. No cenário de um transplante, a factura a pagar varia e fica progressivamente mais leve, de ano para ano. Assim, no primeiro ano há um custo de mais de 61 mil euros que inclui consultas, medicação e ainda os incentivos pagos aos hospitais. No entanto, após este pesado primeiro ano, um doente transplantado passa a custar ao Estado cerca de 6500 euros por ano (mais precisamente, 543 euros por mês). É uma questão de tempo (neste caso, são precisamente 32 meses) para que o elevado preço inicial a pagar acabe por compensar. A partir do segundo ano, o transplante fica mais barato.
A nefrologista Maria João Rocha, principal autora do estudo, admite que o trabalho tem limitações. Nomeadamente, o facto de não contabilizar custos de hospitalização, transporte e até o valor do eventual benefício de uma intervenção destas na qualidade de vida dos doentes e no aumento da sua vida activa. Porém, a especialista nota que se estes factores fossem tidos em conta, deveriam reverter “ainda mais a favor do transplante”. Por outro lado, apesar de ter sido realizado com dados e valores de 2006 o estudo foi actualizado para 2010 com a introdução de uma taxa de inflação de 4% aos valores então verificados. Um acréscimo que resultou numa estimativa por excesso e não por defeito, o que, mais uma vez, joga a favor da conclusão sobre o benefício dos transplantes.

As contas da equipa de especialistas do Hospital de Santo António foram feitas tendo em conta os incentivos pagos pelo Estado para a actividade de transplantação. Maria João Rocha nota que esta verba serviu sempre para pagar um serviço prestado pelos profissionais que ficam de prevenção e admite que um corte pode ter consequências.

JP 20.09.11

9:29 da tarde  

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