
Certa manhã, ao acordar de sonhos inquietos, Gregor Samsa viu que estava no hospital. Mais concretamente, deitado de costas sobre uma bancada inox, contígua à entrada da sala n.º 6 do Bloco Operatório.
Em redor nem vivalma.
Tentou mudar de posição rodando sobre a carapaça dura.
Não fazia a menor ideia como fora ali parar.
Pouco depois, entrou na sala um senhor forte, cabelo empastado, seguido por um batalhão de jornalistas.
- "Meus senhores, foi aqui que detectámos o insecto, da família dos coleópteros, ainda não identificado, durante uma análise de rotina e, por isso, decidimos encerrar os BOs por razões de estrita segurança."
O coleóptero devia ser eu.
Seguiram-se breves momentos de agitação.
Pouco depois, terminada a sessão, saíram todos ordeiramente e o senhor que falara bateu a porta depois de apagar a luz.
Deslizei sorrateiramente até ao local onde anteriormente virá uma lista telefónica.
- Cá está: 214210171.
- Está, senhor Kafka? O senhor voltou a trocar o argumento...
- Sim... Por favor, tire-me daqui.
joao pedro
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