domingo, abril 19

Cromo do ano


Leal da Costa e a reportagem da TVI sobre as urgências. link

« O que nós vimos foram pessoas bem instaladas, bem deitadas, em macas com proteção anti queda, em macas estacionadas em locais apropriados, algumas dos quais em trânsito eventualmente para outro serviço.  Vimos pessoas em camas articuladas, vimos pessoas com postos de oxigénio, vimos hospitais modernos, vimos sobretudo profissionais muito esforçados»
Sobre as declarações dos médicos entrevistados na reportagem da TVI, Leal da Costa diz que nenhuma das afirmações feitas pelos médicos «é demonstrada» e que são «opiniões» de médicos «reputados e reconhecidos militantes do Partido Comunista e da oposição». 
«Os testemunhos dos médicos que eu ouvi, com o devido respeito, conheço-os há bastante tempo, alguns deles são  reputados e reconhecidos militantes do Partido Comunista e da oposição, alguns candidatos a deputados. São pessoas que eu tenho gosto de conhecer há muito tempo e que obviamente estão politicamente motivadas para fazer algumas afirmações, que são opiniões. Nada daquilo é demonstrado», reiterou.

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Este senhor, num país decente, era obrigado a demissão imediata.

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terça-feira, novembro 12

Quando o ridículo não tem limites

Fernando Leal da Costa, depois da carta aberta ao diretor-adjunto do Jornal de Notícias,  link publica nova missiva no Portal da Saúde, link desta feita dirigida à OM autora do artigo com o sugestivo título “A tartufice dos anéis e das gravatas”. link 

Desnorte completo. De cabeça perdida. A constatação crescente do insucesso frustrante deste ciclo governativo leva a uma penosa espiral de disparates. Já nem a zelosa maquina de comunicação do MS consegue por mão a esta derrapagem da falta de senso. Deste tempo político restara apenas uma vaga ideia de cortes nos custos com medicamentos. Quanto ao resto ficara um sonso e dissimulado exercício de destruição do SNS cujas consequências os portugueses terão de suportar dolorosamente. 
Pensador

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domingo, março 24

Cataventos

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No melhor interesse do Estado e do cidadão, as unidades hospitalares públicas que não correspondam às expectativas dos doentes, utentes e famílias não deveriam ser punidas pela própria população? O conceito de área de abrangência, sendo castrador das liberdades, é defendido pelo "statu quo" hospitalar que protege os seus recursos e uma ilusória estabilidade. Os líderes deste subsector, têm preferido o risco de verem as suas unidades encerradas por decreto-lei do que terem a oportunidade de lutar pela sua sobrevivência através da criatividade geradora de dinâmicas de competitividade e inovação. Trata-se do reflexo de uma cultura de liderança baseada nos processos de influência e negociação obscura em detrimento da transparência que resulta dos efeitos das opções livres dos doentes e famílias, conforme verificado nos sistemas de saúde de referência europeia. Sendo uma abordagem abandonada na maior parte das nações ocidentais, a resistência às dinâmicas de competitividade hospitalar teima em manter-se em alguns, poucos, sistemas de saúde.
Por outro lado, tendo sido eu o único membro de uma comissão para a sustentabilidade do SNS que, em 2006, não subscreveu a proposta de extinção dos subsistemas, incluindo a ADSE, custa-me agora ver o silêncio de alguns que é adoptado apenas por questões tácticas de alinhamento partidário. Defendo, como defendi na altura, que os subsistemas públicos são o melhor instrumento que o Estado tem para ajustar o financiamento dos cuidados de saúde ao custo real, algo que o SNS nunca conseguiu estabelecer na sua abordagem de contratualização. 
PM, JN 22.03.13 link

Cataventos
Os neo-liberais “convertidos” têm esta particular singularidade de se transformarem em oráculos da “resistência” encontrando novos apoios nos velhos adversários enjeitados que foram pela “família”.
Quanto ao resto: mais do mesmo. “Analisar” em tom paternalista o que nunca se deu prova de saber fazer, “julgar intenções” e insinuar, insunar…
O que é triste não é a política, nem sequer a Europa. O que é triste é vender a “alma ao diabo”. Cegueira, sectarismo, bota-abaixo são o melhor contraponto à criticada “propaganda”.
Faz pena o SaúdeSA transformado em caixa de ressonância da demagogia oportunista.Ver disto ao pé de gente coerente que escreve com alma e com ética (como é bom exemplo o e-pá) diminui a vontade de “revisitar” um blogue sério e resistente.
Talvez valha a pena lembrar e ouvir Sérgio Godinho: “Arranja-me um emprego”
Carlos Silva, comentário a propósito de um artigo anterior de PM

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segunda-feira, janeiro 21

O enviesamento dos debates …

Ontem, no programa da RTP1  Prós e Contras link   os telespectadores tiveram a oportunidade de assistir, no âmbito da discussão sobre uma pretendida reforma do Estado, a uma prestação sobre o SNS verdadeiramente aviltante e recheada de aleivosias.
Não é possível, nem sequer sensato, ‘reduzir’ o SNS ao serviço de Cirurgia Cardio Torácica dos CHUC. Entrar nessa via é o ignorar que o Rossio não cabe na Betesga.
E já agora para além da prosápia sobre eficiência de produção dessa Unidade Funcional, quando é que falamos nos custos operacionais desse (ímpar) CRI [*] e, mais concretamente, que tipo de contratos foram (no tempo das vacas gordas) estabelecidos com a gestão hospitalar e ao que parece (a avaliar pelo custo unitário da intervenção cirúrgica revelado no programa) incólume aos cortes que têm atingido não só a vertente hospitalar, mas todo o SNS.
É que comparar entidades completamente distintas não é uma atitude sã. Fiquemos pela sanidade já que estamos a restringir-nos ao âmbito da saúde.
Na verdade, quando se afirma aos 4 ventos que temos ‘vivido acima das nossas possibilidades’ é preciso olhar ao espelho. Não vá o diabo tecê-las.
Finalmente, foi possível entender qual foi o verdadeiro alcance do parecer do CNECV sobre 'racionamentos' terapêuticos no SNS. Entre os múltiplos fins que, a pouco e pouco, se vão libertando, a surpresa foi a sensação de ‘conforto’ do Prof. Manuel Antunes (como o próprio revelou ontem)…
Adenda: Começa a ser um difícil exercício imaginativo tentar destrinçar os convidados que são Prós dos Contra. Mas isso é uma área do ‘Dr.’ Relvas e portanto é estultícia tentar compreender esses obscuros meandros.
[*] - Sempre defendi os CRI como modelo estratégico de descentralização da gestão hospitalar e um bom exemplo de estrutura intermédia de governação clínica a desenvolver. Só não compreendo como se pretende comparar uma solução única e excepcional (é esse o real ‘estatuto’ do SCC-T dos CHUC) com a generalidade da organização hospitalar, onde a centralização tudo absorve e esmaga…

e-pá!

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sábado, janeiro 12

O Presidente do Norte

O presidente do conselho de administração (CA) do Hospital de S. João, no Porto, continua debaixo de fogo. Desta vez as críticas têm a assinatura do Sindicato dos Médicos do Norte (SMN), que acusou António Ferreira de ter proferido “declarações alarmistas” que “mancharam a imagem da instituição e do Serviço Nacional de Saúde [SNS] junto da opinião pública”. link
“Os médicos do Hospital de S. João esperavam certamente do doutor António Ferreira informações mais rigorosas e um maior reconhecimento do trabalho da maioria dos profissionais ao longo do seu mandato”, afirma o SMN em comunicado.
Esta semana no programa Olhos nos Olhos da TVI 24, o médico admitiu a “redução de 20% dos recursos humanos do hospital, se tivesse os restantes profissionais em dedicação exclusiva e se pudesse pagar intensivos”. O administrador considera que a unidade que dirige poderia prescindir de mais de mil profissionais com a mudança de algumas regras, como os restantes trabalhadores passarem a trabalhar em regime de exclusividade e com contratos de 40 horas semanais.
O SMN analisou atentamente as declarações e considerou que António Ferreira demonstrou “falta de objectividade” e “vaidade de ‘administrador bem sucedido’”, evidenciando “uma certa colagem ao poder (...)”. Segundo o comunicado, o presidente do CA do S. João “enredou-se em elucubrações sobre um possível sobredimensionamento dos recursos do hospital que, procurando ignorar a realidade concreta da política de saúde que tem sido implementada pelos diferentes governos, só veio adensar as legítimas preocupações de todos os grupos profissionais da instituição”.
No Hospital de S. João trabalham 5600 profissionais e destes apenas 188 têm dedicação exclusiva ao hospital, sendo todos médicos, segundo informação avançada ao PÚBLICO pelo gabinete de comunicação daquele estabelecimento hospitalar.
JP 11.01.12
O SMN não gostou e muito bem das palhaçadas do presidente do S. João.

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terça-feira, janeiro 8

Palhaçadas

 Em directo:link

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segunda-feira, setembro 3

Trapalhadas, therbligs e tayloristas.


A referência aos textos do Dr. José Azevedo, suscitou-me a leitura de alguns artigos seus publicados no site do Sindicato.
Num deles deparei-me com este naco de prosa:
“Outro aspecto importante, na era actual, e que faz parte dos dados lançados, é a criação de um grupo de estudo da redefinição de tarefas, nos cuidados primários. A partir daí deve haver a reorganização do trabalho dos vários técnicos, sobretudo, no conceito de posse de cliente, através do famigerado "médico de família", chavão que não tem significado real, dado que ao redefinir as tarefas assistências fica a saber-se, onde começa e acaba o exclusivo possessivo do "médico de família", para entrar o contributo essencial e substancial de outros, nomeadamente o dos Enfermeiros.
É óbvio que a redefinição implica classificação média de tempos e movimentos, como dizem os "Tayloristas", nos famosos "terblig", onde os 1750, 1900 ou 2000 clientes por médico de família deixam de fazer sentido, dada a frequência escassa das visitas, ao médico de família, a singeleza das tarefas executadas por este e a imprecisão dos números, que são fantasmagóricos, porque ultrapassam a população real!”

Confesso a minha dificuldade em interpretar o texto que acabei de citar. O problema é, com certeza, meu, que não consigo atingir o elaborado raciocínio do Filósofo.
Mas não deixo de ficar perplexo com a imagem dos “therbligs” que aparecem aqui associados a Taylor, quando, na realidade foram concebidos por Gilbreth (a sua designação resulta aliás do sobrenome invertido do autor, ligeiramente modificado).
Muito embora tivessem trabalhado na mesma área, caso Gilbreth fosse vivo e o Dr. Azevedo lhe chamasse Taylorista era capaz de o mandar processar.
Taylor estava preocupado principalmente com a redução do tempo dos processos numa perspectiva de aumento do lucro, enquanto Gilbreth procurava tornar os processos mais eficientes visando, segundo o próprio, o bem-estar dos trabalhadores, reduzindo a quantidade de movimentos envolvidos.
Reza a história que as relações entre ambos não foram as melhores.
Agora, o que acho espantosamente apropriada é a imagem do Dr. Azevedo. Todos nós estamos habituados a ver analistas do trabalho, de cronómetro na mão, a medir os tempos das tarefas elementares de Médicos e Enfermeiros…
Valha-nos Deus: Taylor morreu há quase 100 anos. Tanta água correu debaixo das pontes! Mesmo no mundo industrial quantas mudanças não aconteceram. Quem é que hoje se atreveria a escrever “Um dos requisitos principais para um homem ser capaz de manusear a gusa, regularmente, é o de ser tão estúpido e fleumático que mais se pareça mentalmente com um bovino do que com qualquer outra espécie animal” (Taylor).
Mas pode ser que o Dr. Azevedo tenha alguma razão. E que se depare com algum desalmado que ache que a tarefa mais importante a fazer, na Saúde, é a racionalização do trabalho, no estrito sentido Taylorista.
Se tal acontecer permita-me um conselho: mande-o ler O´Neill: “Dize tu: Já começou, porém, a racionalização do trabalho. Direi eu: Todavia o manguito será por muito tempo o mais económico dos gestos!” 

Brites

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sábado, agosto 25

Curriculum zero

Exmo. Senhor Director Executivo do Agrupamento de Centros de Saúde... 
O Sindicato dos Enfermeiros (SE) vem propor uma reunião de trabalho e, simultaneamente, de boas vindas, ao mundo da Saúde, caso V. Exa. não estivesse nele, já. Somos diferentes e, por isso temos sugestões e soluções diferentes, comparativamente. Não nos deixamos influenciar por currículos maiores ou menores; melhores ou piores, porque já somos defensores do currículo zero, fartos que estamos de molhadas de papel, que escondem a incompetência. Para nós, currículo é um molho de papéis, com ou sem nexo, com a capacidade potencial da cada pessoa, essa é, para nós, a válida, pois é ela que age e faz coisas. Tantos e tais são os problemas que é nosso intento encontrar soluções adequadas para alguns. Com os melhores cumprimentos. Pel’o Presidente da Direcção, (Dr. José Correia Azevedo) 

O Presidente da ARS Norte tem em José Azevedo um incondicional apoiante do curriculum zero para o lugar de Director Executivo dos ACES (s). Vendo nos outros a figura do correligionário Relvas, o Presidente do SE não se deixa impressionar pelo que designa por papéis, que mais não são que justificativos para esconder incompetências várias. Seleccionem-se pois os candidatos pela capacidade de se inscreverem no partido certo, tudo o mais é palha pela certa. 
Tavisto
Nota: Outra peça notável de fino recorte político e literário do enf.º Azevedo: "Há dias já vimos e ouvimos um Sindicato de Médicos do Norte, da área da CGTP/in (para quem não saiba), manifestar o seu desagrado pelas nomeações dos directores executivos de ACES" link

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quinta-feira, agosto 9

A arte do ridiculo

Big Med: «Atul Gawande usa uma cadeia de restaurantes de sucesso  como modelo de reflexão para extrair lições e traçar paralelos com o sistema de saúde, e, em última análise, concluir, depois de uma visita a uma das cozinhas do “Cheesecake Factory”, que a industrialização da prestação de cuidados de saúde não pode ser uma coisa tão má assim.» link
Merece a pena transcrever a crítica contundente ao célebre cirurgião articulista no idioma original.
«If you're a fan of star surgeon overachiever Atul Gawande, then reading his New Yorker article "Big Med" is a must. The rest of us skeptics should still use the article to signal our health care adroitness by knowingly referring to the "Cheesecake Factory" in our policy medical meetings, conferences, PowerPoints and bloggery.
What he wrote: Dr. Gawande uses the successful restaurant chain to extract lessons and draw health system parallels, ultimately concluding, after a visit to one of their kitchens, that the industrialization of health care delivery may not be such a bad thing. While the Factory's hibachi steak is personally prepared to the consumer's specifications, its final sizzling tasty presentation is really the product of inventory control, fine-tuned assembly line prep that leads to the expert cook, all of which are under intense quality oversight.
The same business model of mass customization should be applied to total knee replacements and ICU stays, says Dr. Gawande. And in order for that to happen, it'll mean transforming our small independent hospitals into big chain factories that can marshall the financial and intellectual capital to get patients out of bed, off the breathing machine and in their home with a minimum length of stay.
At the center of this value chain is the cook (surgeon or ICU specialist) who relies on standardized ingredients (devices or drugs) that are assembled (delivered) using a standard prep (guideline or protocol). That's when the cook can use his or her personal grilling expertise to gauge the doneness of the steak and properly fluff the mashed potatoes. In Gawande-World, the surgeon-cook can have his cake (professional independence) and eat it too (by reducing variation).»
MDCB
É o risco que correm determinados experts da nossa praça, feitos stars, na ânsia de agradar ao grande público simplificam, simplificam, até à queda no ridiculo.

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sexta-feira, maio 4

Porta-voz do MS

"Portugal tem três anos para decidir modelo para a Saúde, alerta Marcelo!" link

O professor Martelo metido a porta-voz de Paulo Macedo.
A mixórdia habitual do professor disfarçada de comentário político.

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