sábado, junho 11

Condecorações

foto JP
Cavaco Silva não perdeu oportunidade para condecorar Manuela Ferreira Leite neste 10 de Junho de 2011 com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo.
Muitas razões existirão para tão distinta distinção.

A primeira, desde logo, MFL entrou para a política pela mão de ACS, seu colega na Fundação Calouste Gulbenkian.
Acresce que MFL desempenhou inúmeros cargos em vários governos da República: Secretária de Estado do Orçamento do XI Governo (1990), Secretária de Estado Adjunta e do Orçamento do XII Governo (1991-1993), Ministra da Educação (1994-1995), Ministra de Estado e das Finanças do XV Governo (ano de 2002, primeira mulher portuguesa a assumir esse cargo).

Outra motivo: MFL foi a primeira mulher portuguesa a chefiar um partido político (2008).

Mas outras razões mais profundas terão pesado na decisão do senhor PR.
MFL, à semelhança de ACS, tem o perfil, o jeito, assim a modos que salazarento de agir e pensar, que tanto agrada a muitos dos nossos conterrâneos. Ficou célebre a sua proposta de fazer uma pausa na democracia: «não seria bom haver seis meses sem democracia" para "pôr tudo na ordem"
link. Ele há coisas que não se dizem nem a brincar.

Motivo da máxima importância: Manuela Ferreira Leite, no exercício das suas funções no governo, chegou a despachar a favor do Benfica
link .

Mas há mais: MFL esteve na genese do "discurso da tanga" de Zé Barroso que deu mais tarde lugar à política de verdade e à "obsessão do défice” (longe iam os tempos de crise dos investimentos tóxicos que arrazaram a economia dos EUA e da EU). Quer dizer, MFL é o exemplo acabado do ajuste de contas feliz com a história. MFL, a sempre velha e avarenta senhora, espírito retrógrado, habituada desde tenra idade à leitura das aventuras do tio patinhas, bafejada pelos ventos da história, acabou por ter razão antes de a ter. Uma espécie de Forrest Gump à portuguesa, versão feminina.

Finalmente: Para a atribuição desta exagerada condecoração, o PR, ACS, teve uma motivação acrescida, especial, que reside no facto de ambos (ACS e MFL) partilharem ódio visceral ao inimigo comum, o atroz recém derrotado engenheiro José Pinto de Sousa, vulgarmente conhecido por José Sócrates.
Para ACS e o seu plano de vingança, gizado a partir da anterior campanha das presidenciais, a recente e estrondosa derrota do primeiro ministro cessante não é suficiente. O processo de humilhação de JS, tudo o indica, vai continuar.

Porreiro, pá

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segunda-feira, abril 27

Perplexidades…

Os impulsos privatizadores do sistema de saúde fazem parte do ADN ideológico do CDS (tal como do PSD). A esse propósito Teresa Caeiro link limita-se a ser coerente com a doutrina do seu partido (nas suas diferentes versões). Para os partidos da Direita pouco importa se o SNS melhora ou piora. O círculo social da sua influência política olha para o sistema de saúde como uma imensa oportunidade de negócio e não desistirá, nunca, de o capturar. Acresce que estas “elites” políticas e sociais nunca aceitarão, de bom grado, compartilhar a prestação de cuidados de saúde com os “blue colors”. Eles querem, efectivamente, um sistema de saúde hight-tech, “modernaço”, cheio de amenidades hoteleiras e “fantasias” tecnológicas onde não tenham que conviver com gente pobre ou, até mesmo, remediada. Daí a “cassete”, insistentemente, repetida: liberdade de escolha, concorrência, estado regulador, etc, etc.

O que nos deve preocupar não é tanto a ladainha neo-liberal, pós moderna, que todos conhecemos, nem sequer a vacuidade do pensamento sobre o sistema de saúde no lado direito do espectro político.
O que nos deve preocupar está dentro da nossa casa, próximo de nós, onde supostamente coabitam aqueles que defendem um SNS forte e coeso. Senão vejamos:

- Como é possível defender o SNS se continuamos a permitir (depois da declaração política feita na AR) que a ADSE continue a “empurrar” milhões de dívida aos HH’s públicos (alegando as mais variadas artimanhas) para protelar ou evitar pagar a prestação de cuidados de saúde aos seus beneficiários nos HH’s públicos? Isto ao mesmo tempo que se vangloria de ter as contas com os privados num “brinquinho”. Compreende-se assim a “santa aliança” entre a ADSE o sector privado…Porque razão não é realizada uma auditoria independente à relação financeira da ADSE com o sector público e publicitados os seus resultados?
- Como é possível defender o SNS quando se equaciona “regredir” nos regimes de trabalho no sector público (para as 35 horas) comprometendo assim a organização do trabalho” e facilitando, desse modo, o concubinato espúrio da combinação público-privada?
- Como é possível defender o SNS quando se criticam os seguros de saúde mas pouco se faz para reduzir o desvio de doentes do sector público para o sector privado. Veja-se o exemplo de”esperteza saloia” do Hospital de Cascais que estando agora gerido pelos HPP passou a “desviar” os doentes para o Hospital dos Lusíadas protelando, desse modo, a agonia em que aquela unidade privada se encontrava?
- Como é possível defender o SNS quando se deixam prosseguir PPP’s (como a atrás referida) criando um quarto tipo de sector “travestido” (para além do público, privado e social) que apenas vai contribuir para enviesar as regras normais de concorrência nos operadores (legítimos) privados e sociais e acentuar, ainda mais, o “lodo” da relação entre os sectores em Portugal?
- Como é possível defender o SNS quando se deixa que uma unidade com a relevância estratégica e social do IPO de Lisboa seja um dos principais “compradores” de cuidados ao sector privado em Portugal (até compram cuidados intensivos no Hospital dos Lusíadas)?

Com efeito a defesa do SNS está muito para além de proclamações baseadas em “estados de alma” requerendo, sobretudo, acções e medidas de carácter político. Até porque o terreno “está bem minado” de agentes duplos. No caso do HPP Cascais vs Hospital dos Lusíadas a própria ARS terá dito que face ao contrato os HPP tinham todo o direito de adquirir os cuidados onde muito bem quisessem…
inimigo público

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sexta-feira, março 6

Papas & Bolos

«Não se compreende o barulho existente relativamente às PPP. Se um privado consegue fazer as coisas 200 milhões de euros mais barato do que fosse o público a fazer, não sei qual é o problema em estarmos a poupar dinheiro, que no final, é de todos nós contribuintes. Mais, se esta oposição toda é pq a JMS irá exercer a gestão do hospital durante 10 anos, então pior. A qualidade dos serviços prestados no HFF nunca foi inferior à prestada nos outros hospitais públicos, para não dizer superior e, a Sociedade Gestora gastou menos do que gastaram os outros hospitais que geralmente são comparados com ele como é o caso do HGO. Os argumentou utilizados por alguns, têm sido pura demagogia e ideológicos. »

Caro PDD / JRVB

Antes de mais permita-me que saúde a sua vinda ao debate.
Permita-me alguns comentários.
Começa por referir:…”Não se compreende o barulho existente relativamente às PPP. Se um privado consegue fazer as coisas 200 milhões de euros mais barato do que fosse o público a fazer, não sei qual é o problema em estarmos a poupar dinheiro, que no final, é de todos nós contribuintes”…
O problema (como diz o povo) é que “com papas e bolos se enganam os tolos”. Quem lhe garante a si que este “desconto” é firme? Qual a credibilidade de alguém que no espaço de poucos meses altera radicalmente os fundamentos da primeira proposta? Qual a medida da qualidade que refere? Será o caos crónico, por exemplo, do SU do HFF, durante anos, com comprovados riscos de segurança para os utentes e profissionais? Quais os custos indirectos do Estado neste período de exploração do HFF pela JMS? E os custos políticos? Alguém recomendaria um acordo em que o desequilíbrio entre as partes é tão desnivelado que permite, a uma delas (a mais forte) a arrogância de litigar e “arrastar” contas durante sete anos?

Os provérbios populares sustentam muita da melhor reflexão quando, por exemplo, dizem “quando a esmola é muita o pobre desconfia”. Também o BPN e o BPP e tantos outros prometerem tanto e depois foi o que se viu…
O que é facto é que estamos cansados do blá-blá neo-liberal que quando é contrariado no plano das ideias, e confrontado com evidência técnica e científica remata, quase sempre, com o cliché de “pura demagogia e ideológicos”.
Que seja então ideologia mas, por favor, não tratem destes assuntos com argumentário “powerpoint”.
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quinta-feira, março 5

ERS, estudo redutor


ORDEM DOS ENFERMEIROS PROTESTA CONTRA ESTUDO DA ENTIDADE REGULADORA DA SAÚDE (ERS) E DESAFIA A ERS A FORMULAR NOVO TRABALHO

…”Após apreciação do «Estudo do Acesso aos Cuidados de Saúde Primários do SNS»,link uma iniciativa da Entidade Reguladora da Saúde (ERS) e que se encontra disponível no site da ERS, a Ordem dos Enfermeiros torna público o seu veemente protesto sobre o conteúdo desse documento, considerando-o redutor. Recorde-se que cuidados de saúde englobam o contributo multidisciplinar de vários profissionais, pelo que não são sinónimo de cuidados médicos.
Para o Conselho Directivo da Ordem dos Enfermeiros, o estudo em causa «é um atentado público, por enviesamento da questão de partida e de omissão na consulta aos utentes», refere o protesto formal da OE. Ou seja, na análise formulada pela ERS, não foi tida em linha de conta a prestação de cuidados por outros grupos profissionais que contribuem para o desempenho global dos centros de saúde, nomeadamente os cuidados de Enfermagem. Da mesma forma, também não foram consideradas as opiniões dos utentes.
Aos utentes «foi negada a possibilidade de se pronunciarem sobre as respostas em saúde que efectivamente lhe são dispensadas e a que têm direito. Apenas uma visão estreita não avalia as respostas que diariamente os enfermeiros asseguram às crianças, a jovens, adultos e idosos, entre muitos outros grupos de intervenção, nos centros de saúde e no domicílio», pode ler-se no protesto.
Assim sendo, «a Ordem dos Enfermeiros desafia a Entidade Reguladora da Saúde a colmatar com novo estudo a necessária análise do conjunto das variáveis que influenciam o acesso aos Cuidados de Saúde Primários, garantindo que utentes e profissionais sobre elas se pronunciem». Só assim se poderá elaborar um documento com «grande utilidade ao nível do planeamento em saúde (...), mas sobretudo para dar ao país um verdadeiro contributo para a análise do acesso aos CSP no SNS, eixo em que assenta a reforma da saúde”…
…/…

Se alguém tinha dúvidas sobre o papel e dos propósitos da ERS este “estudo” vem comprovar aquilo, que há muito, se suspeitava. Uma Entidade inútil, não isenta, perdida e mal preparada. Em boa verdade a ERS parece ter como único eixo estratégico criar condições para abrir espaço para o sector privado. O famigerado SINAS é disso um excelente exemplo. Para além disso o que vemos? Uma confrangedora falta de preparação teórica, técnica e científica. Um deambular hesitante por caminhos pouco claros. Pelo meio a produção de uns “estudos” para compor o ramalhete.
Se todos estivermos, convenientemente, atentos não será difícil antecipar as cenas dos próximos capítulos…

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terça-feira, fevereiro 17

Incertezas...

foto JP
O país vive um momento de grande inquietude. A crise económica começa, finalmente, a definir a aspereza dos seus contornos. As dificuldades do país parecem inultrapassáveis face à dimensão do contexto global. Esbatem-se os limites de segurança da protecção social. A pobreza agrava-se, no seu padrão tradicional, ao mesmo tempo que surgem fenómenos que fazem emergir uma nova categoria de pobres. Os cidadãos lutam, todos os dias, incessantemente, com as consequências das “falhas de mercado”. Estamos, claramente, perante uma nova forma de violência social em que o neo-liberalismo ferido de morte, arrasta consigo a estabilidade das famílias usurpando a sua dignidade e o seu direito à felicidade e ao bem-estar.

Enquanto isso, em Portugal vamos assistindo ao deplorável espectáculo da política “rodapé”. O governo parece exibir os primeiros sinais de cansaço e de desorientação vergado pelo peso de uma crise que não antecipou e para a qual parece não conseguir encontrar os “remédios” mais adequados.

Os partidos da oposição recolhem-se no conservadorismo previsível do seu ideário fundamental. Esfuma-se a doutrina, vandalizam-se os princípios, traficam-se os valores. Mais do que uma crise económica e financeira estamos perante a maior crise de confiança e de auto-estima de que há memória. É preciso recuar ao final da década de trinta, do século passado, para encontrarmos alguns sinais de paralelismo no “ambiente global”.
E no entanto, fraude após fraude, golpe após golpe, o “sistema” resiste parecendo que “no pasa nada”. Tudo se resume a simples ajustamentos de “mercado”. E à consciência e ao respeito os verdugos nada dizem.

Dos velhos “senadores” Mário Soares vai resistindo na lucidez e na razão. A história tem-lhe vindo a dar, por inteiro, a razão. A globalização, o liberalismo selvagem, o Iraque, George Bush…
É, apesar de tudo, uma gota de água no deserto da consciência colectiva. Um povo sem consciência e sem alma é um povo que se entrega ao infortúnio.

Nos “grandes” partidos pontificam as “vaidades”. No PS Manuel Alegre deixa-se corroer pelo deslumbramento virtual de um destino messiânico, quase mítico que o faz viver em permanente inquietação mergulhado numa dúvida intemporal sobre qual é afinal o seu lugar e o seu destino. À direita extinguem-se os produtores de pensamento. Pacheco Pereira perora na sua patética deambulação “ideológica” nostálgico de Bush, frustrado com o Iraque, amargurado pela débacle do neo-liberalismo. Faminto de poder o PSD ensaia coreografias repetidas em que os sucessivos compères se afundam por não serem capazes de devolver, rapidamente, ao partido o unguento da sua salvação: o Poder.

O Presidente da República vê mas parece não compreender nem o mundo nem o país. Incapaz de gestos corajosos deixa-se arrastar pelo lamacento pântano do BPN. Um PR que é incapaz de promover o exemplo não transmite confiança ao País. Afinal entre o Povo e o seu (ex)-amigo e Ministro Dias Loureiro onde ficam arrumadas as “questões de Estado”?

Vale a pena lembrar Aristóteles: …”A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras”…

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sexta-feira, fevereiro 13

Mal arrumado


Caro E-Pá não tinha pensado replicar aos sucessivos heterónimos de PKM. No entanto este seu último post impeliu-me a vir “novamente a jogo”.link
PKM é um caso muito curioso de como a falta de sedimentação e a pressa em querer “ser culto” dá sempre mau resultado.

Concordo com o João Pedro quando ele diz que, provavelmente, a única razão porque o DE mantém as crónicas do PKM é pela grande animação que elas provocam no SaudeSA.
Na verdade nós estamos, cada vez mais, necessitados de debates vivos e de alguma alegria.
Compreendo o tom do seu desabafo. Por vezes apetece dizer que não “há mais pachorra” para tanto dislate.

Pior que mal preparado é estar “mal-arrumado”.
É querer ser aquilo que não se é ou, pior ainda, agradar a tudo e a todos.
É nítido que PKM chegou muito tarde à cultura navegando, por isso, à vista.
A sua fixação em Sócrates, nos HH’s EPE e no PS é apenas um dos muitos sintomas que indiciam que a sustentação do conhecimento está por fazer e que a maturidade intelectual ainda tarda.
PKM comporta-se como um “miúdo” birrento como aqueles que choram e gritam berrando por querem ou não querem certas coisas. No caso dos gaiatos, normalmente, berram porque não querem comer a sopa ou ir para a cama. No caso do PKM porque não quer o Sócrates nem que a esquerda seja diferente da direita.
Depois inventa uma série de “trapalhadas” como por exemplo que o modelo social europeu não é de esquerda, que o Marques Mendes é a nossa Rosa Luxemburgo, propondo-nos ou impondo-nos “aulas” de filosofia, política, sociologia, economia, gestão, antropologia.

Caro PKM ainda V. Exa. não tinha tirado os coeiros e já nós (E-Pá incluído) líamos muitos livros, conhecíamos o mundo e escrevíamos algumas coisitas.
Quanto ao resto fique-se com esta interessante reflexão de Jorge Luis Borges: …”São poucos os políticos que sabem fazer política. Mas, quando um intelectual tenta entrar nesse meio, então é o fim do mundo”…

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sábado, fevereiro 7

O mundo mudou!


E o apego aos valores da coerência parece que também…

Vale a pena ler o escrito de hoje da autoria de PKM no DE.
link
A começar pelo subtítulo: …”Obama adopta o modelo social europeu para a sua reforma da saúde inspirando-se na Holanda e na Suíça!” Primeiro registo, PKM rendeu-se, com notável oportunidade, aos ventos do “neo-socialismo” que sopram do outro lado do Atlântico. Imaginamos como deve ter, arduamente, reflectido sobre qual a melhor forma de dar a volta e sair do beco neo-liberal onde se tinha refugiado, nos últimos anos, sem perder o seu “hobby” preferido que é atacar o actual primeiro-ministro, o partido do governo e o modelo EPE.

Diz-nos esta coisa extraordinária: …”O mundo está diferente. A crise de valores denunciada por analistas e intelectuais durante várias décadas chegou ao mundo real. Melhor dito, à "economia real". Pasmem-se os mais distraídos com algumas das mudanças inesperadas”… Pasmados, ficamos, seguramente. O lente na sua erudição faz um verdadeiro salto à vara. Parece afinal que o outro mundo, onde até agora tem vivido o tal do “mercado”, das PPP’s, da desintervenção do Estado terá, aqui e acolá, uns pequenos problemas, Coisa, certamente, de somenos importância que tenderá a passar com o tempo…

O articulista avança, determinado, na reconfiguração do seu pensamento: …”Dos EUA, chega-nos a constatação de que Obama procura inspiração no modelo social europeu para o seu plano de reforma do sistema de saúde dos EUA. Nomeadamente, a adopção das lógicas de financiamento e acesso dos sistemas de saúde holandês e suíço. Impensável faz poucos meses”… Impensável e tão perturbador que deve ter sido para PKM tal avanço norte-americano. Vale a pena reler anteriores escritos do autor. Uma verdadeira ode à arte de maximizar a plasticidade da coerência.

Não falta neste artigo o remoque da “cabala” subserviente: …”Deste lado do Atlântico, o jornal diário inglês "The Guardian", um dos últimos bastiões da liberdade de imprensa europeia (como o Público e o Diário Económico em Portugal)”…
Ficamos atónitos quando vemos PKM referir: …”O chocante cenário de crise de imagem das multinacionais inglesas só é comparável ao choque que alguns executivos sofreram ao verem estes esquemas a tornarem-se tema da agenda mediática. Fiquemos a observar as consequências deste processo na revisão da postura ética empresarial”…

Depois destes acrobáticos exercícios volta à carga com o seu “ódio de estimação”: o governo e os hospitais EPE que serão, na sua óptica a fonte de todos os males do sistema de saúde. É claro que tudo está muito bem com o sector do medicamento e a rede de cuidados continuados (já estão bem e duradouramente privatizados). Agora os EPE’s é que são um grande problema. Ainda por cima é a fatia do bolo que este “maldito” governo persiste, teimosamente, em não transferir, integralmente para o sector privado.

Nesta senda maniqueísta vale tudo. Até citar um homem sério, coerente e honrado como Eugénio Rosa: …”Um recente trabalho de Eugénio Rosa, na sua admirável dedicação à liberdade de pensamento”… (aonde chega o topete para justificar tamanha falta de compostura).
Confinado pela frustração evoca tudo e todos: …”O PSD de Ferreira Leite, recuperando o seu espaço discursivo, o coerente PCP de sempre e o irrequieto BE terão que promover a verdade sobre o modelo EPE. Este circuito de pensamento político deverá buscar modelos alternativos”… Tudo em nome do sufoco cego em que vive que tolda a independência e a razão do intelecto.

O mundo mudou, de facto, sobretudo na economia. O que não mudou foi a divisão entre aqueles que vivem educados numa cultura de valores e aqueles que cambaleiam no turbulento oceano do oportunismo e da hipocrisia.
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segunda-feira, janeiro 19

Política de Caixão à Cova...


…”A líder (e coveira) do PSD, Manuela Ferreira Leite, acusou o Primeiro-Ministro, José Sócrates de ser o “coveiro da Pátria” por conduzir o país por “caminhos errados” e garantiu que o seu PSD tem “crédito” junto dos portugueses para aplicar as medidas que qualifica de “correctas”. Para a líder dos social-democratas, foi o PSD que há mais de sete meses denunciou que Portugal estava em crise e que muitas das iniciativas que o Governo estava a tomar o país não as podia fazer”…
…/…
Para além da morbilidade fúnebre do debate político Manuela Ferreira Leite traz-nos uma nova perplexidade: o PSD sabia há mais de sete meses que estávamos e íamos entrar em crise. Sustentada, provavelmente, no contributo genial dos seus homens da Goldman Sachs MFL sabia de tudo! Disto resulta que o mundo só foi enganado porque quis. Qual previsão de petróleo a 200 dólares para Dezembro de 2008, quais temores inflacionistas que fizeram Jean-Claude Trichet insistir e persistir em taxas de referência de juro elevadas no BCE? Puro engano…

MFL sabia de tudo e mais…Tinha solução para tudo!

Que não se lamentem agora os norte-americanos, os ingleses, os irlandeses, os islandeses, os espanhóis e tantos, tantos outros…

O grande germe da grave crise internacional resultou afinal de uma coisa muito simples. Em vez de José Manuel Durão Barroso se ter feito ao lugar de Presidente da Comissão Europeia para, (ajuizadamente) escapulir do pântano, o PSD deveria ao invés ter exportado Manuela Ferreira Leite.

Com MFL em Presidente da Comissão Europeia tudo teria sido diferente. O que se teria evitado. O BPN teria sido apresentado em Davos como um case-study do sistema financeiro mundial. O Lehman Brothers não teria falido. O mundo estaria escorado numa malha de rigor sem TGV’s nem sistemas de saúde públicos.

A continuar assim MFL vai forçar os autores da Diciopédia a mudar o significado da palavra credibilidade (“qualidade do que é credível, o que faz com que alguém mereça ser acreditado”).

É caso para dizer volta Marques Mendes estás perdoado…

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terça-feira, janeiro 13

O Admirável Mundo Novo…

A agência de notação Standard & Poor's colocou a dívida da Caixa Geral de Depósitos e do Santander Totta em vigilância negativa.
O Barclays, o quarto maior banco britânico, planeia despedir cerca de 2.100 empregados das suas unidades de banca de investimento, gestão de fundos e banca privada.
Os 'hedge funds' registaram no ano passado o pior desempenho de sempre, tendo perdido um total de 350 mil milhões de dólares (265 mil milhões de euros).
Fraude: Os administradores da Satyam, empresa que foi palco de uma fraude histórica na Índia, venderam acções da companhia no valor de 1,8 milhões de dólares (1,36 milhões de euros) seis meses antes dos títulos derraparem em bolsa.

O presidente da Reserva Federal (Fed) dos EUA alertou que o pacote de estímulo orçamental não será suficiente para reanimar a economia, sendo necessário a compra dos activos "tóxicos" dos bancos.
Défice público espanhol irá "superar amplamente" os 3% em 2009.
A Euribor estão em queda há 65 sessões e hoje a taxa a seis meses recuou para os 2,671%, estando cada vez mais perto da taxa do BCE, de 2,50%.
Portugal é a 53ª economia mais livre do mundo.
Espanha estuda subida dos impostos: O Governo de Madrid está a considerar um aumento da carga fiscal sobre a gasolina, tabaco e álcool, de modo a contrabalançar a queda das receitas causada pela recessão.
BCE deve cortar os juros na próxima quinta-feira, para ajudar a economia europeia a recuperar.
FMI vai rever custo da crise em alta: O director do FMI alertou hoje que a organização vai aumentar "significativamente" as suas projecções do custo da crise, que actualmente são superiores a um bilião de euros.
Desemprego na zona OCDE aumenta em Novembro: A taxa de desemprego média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) atingiu os 6,5% em Novembro, mais 0,8 pontos percentuais do que no período homólogo de 2007.link
Os indicadores de Novembro da OCDE indicam que serão registadas recessões profundas nas maiores economias do mundo.link
Preço dos combustíveis descem 30% em seis meses: O petróleo deslizou mais de 100 dólares, ou 70%, desde o máximo histórico atingido há seis meses.
Salários: Aumentos no privado abaixo da função pública.
Função pública ganha poder de compra inédito. Aumento de 2,9% é o primeiro da década a superar a inflação.
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sábado, janeiro 3

Carta aberta


a S. Exa. o Senhor. Presidente da República

Senhor Presidente permito-me dirigir, respeitosamente, a V. Exa. na qualidade de cidadão, empobrecido, da classe média, dividido entre a angústia da incerteza e a vontade de lutar.
Ouvi o Seu discurso de Ano Novo.
Confesso que fiquei desiludido e preocupado. Logo após os votos calorosos para 2009 V. Exa. dirigiu-se, explicitamente à categoria de Portugueses onde, compulsivamente, me sinto incluído isto é, aqueles que “sofreram uma redução inesperada dos seus rendimentos”…
Admito que senti um estrondo interno de emoção quando V. Exa. referiu: …” não se deixem abater pelo desânimo”…O vigor deste estímulo prolongou-se quando o Senhor Presidente se referiu aos nossos jovens: … “que tendo terminado os seus estudos, vivem a angústia de não conseguirem um primeiro emprego”…
Aqui compreendi o sentimento de frustração de V. Exa. por não ter conseguido, nos seus três governos, concretizar uma duradoura reforma do sistema educativo que tivesse lançado as sementes da qualidade do ensino, da competitividade e da empregabilidade dos jovens. Ter-se-ia evitado a emergência de fenómenos como a Universidade Moderna, a Independente ou a Internacional que mais não foram do que a expressão simbólica da degradação do ensino superior que decorreu de uma pouco exigente prática liberalizadora e “concorrencial” no ensino universitário. Já para não falar dos sinais de degradação do ensino secundário tão bem caracterizados, na altura pela ex-Ministra da Educação - Dra. Manuela Ferreira Leite quando se referiu à “geração rasca”. Os resultados nos anos que se sucederam (na Matemática, por exemplo) são disso um bom exemplo.
Naturalmente que em dez anos não é possível tudo fazer. Ainda por cima numa altura em que era necessário consagrar muita atenção à gestão dos fundos comunitários cuja dimensão não permitia distracções com questões de muito complexa resolução.
Registei também o cuidado com que V. Exa. se refere aos pequenos comerciantes que passam hoje por momentos muito difíceis. Infelizmente não foram capazes de se adaptar aos fluxos de modernidade que fizeram com que Portugal, durante o tempo em que V. Exa. foi Primeiro-Ministro tenha aberto o mercado da distribuição aos grandes empreendedores de que é ilustre exemplo o Sr. Eng. Belmiro de Azevedo. Hoje os pequenos comerciantes são, efectivamente, vítimas da incapacidade de utilização de sucessivas linhas de crédito e programas de modernização bem como da sua manifesta dificuldade em lidar com os mecanismos de “mercado” que V. Exa. tão bem inculcou na sociedade portuguesa.
Quase tanta incompreensão se poderia aduzir quando V. Exa. se refere ao problema dos agricultores. Longe vão os tempos dos montes não cultivados, do dinamismo do mercado dos veículos de tracção às quatro rodas ou até da utilização do gasóleo verde em fins não, necessariamente, agrícolas.
Não poderia estar mais perto do pensamento de V. Exa. quando refere: …” O mundo rural faz parte das raízes da nossa identidade colectiva. A sua preservação é fundamental para travar o despovoamento do interior e para garantir a coesão territorial do País”…Pena seja que os enormes recursos financeiros aplicados nas auto-estradas, que V. Exa. tão bem promoveu, não tenham sido suficientes para mobilizar os portugueses em direcção ao interior ao invés daquilo que aconteceu, de facto, do interior para o litoral. Com efeito os números têm tanto de injusto como de esclarecedores. Nunca, como nos últimos vinte anos, a desertificação do interior tinha sido tão intensa.
Reconheço perante V. Exa. que a marca mais distintiva do Seu discurso se exprime quando proclama: “Devo falar verdade”…
Nada de melhor e mais útil.
Diz V. Exa. …”Portugal gasta em cada ano muito mais do que aquilo que produz. Portugal não pode continuar, durante muito mais tempo, a endividar-se no estrangeiro ao ritmo dos últimos anos”…Com efeito assim parece. Ficamos contudo hesitantes quando vemos largas manchas de prosperidade no nosso país como a Madeira, Lisboa, Gaia, Oeiras entre outros exemplos. Será que o endividamento se deve, outrossim, ao pagamento desse “monstro” que V. Exa. referiu nos idos anos de noventa, e para o qual teve a institucional generosidade, no momento da saída de funções executivas, de garantir reforçada continuidade?
Claro que na Madeira há essa questão, que ainda há poucos dias V. Exa. referiu a propósito das deslealdades do Parlamento e que tem que ver com a qualidade da Democracia.
A Democracia parece, de verdade, ter vindo a perder qualidade. Já muito pouco sobra da geração yuppie tão desenvolvida no seu tempo, das elites de empreendedores, de gestores e de investidores. Dessa tão brilhante casta vão sobrando apenas uns resquícios como se de pechisbeque se tratasse. Ainda por cima muitos deles encontram-se, injustamente, envolvidos na sordidez de processos que tanto tem diminuído a qualidade da nossa Democracia.
Mantendo a fidelidade à Verdade V. Exa. refere: …”Não devo esconder que 2009 vai ser um ano muito difícil. Receio o agravamento do desemprego e o aumento do risco de pobreza e exclusão social”…Todos tememos que tal aconteça. Já perdemos de vista o fio do optimismo e o convívio esperançado com o futuro.
Diz V. Exa. Senhor Presidente: …”A verdade é essencial para a existência de um clima de confiança entre os cidadãos e os governantes”…A culpa será dos cidadãos? Dos governantes? Ou de ambos? O que é facto é que é sempre mais fácil ao país mudar de políticos do que de cidadãos…
Veja-se o apego à coisa pública de políticos com Santana Lopes, Paulo Portas entre outros. A política parece ter uma natureza aditiva que impele comportamentos de dependência compulsiva.
É verdade, como refere V. Exa., que …”quando a possibilidade de endividamento de um País se esgota, só resta a venda dos bens e das empresas nacionais aos estrangeiros”…Tão verdade como verdadeira é a evolução da dependência do nosso país do petróleo, constantemente, agravada entre 1985 e 2006 e só agora, timidamente, aliviada com o forte investimento nas energias limpas.
…”As ilusões pagam-se caras”…É verdade, Senhor Presidente, todo o tipo de ilusões. Como também se pagam muito caras, na política, a prestidigitação e a dissimulação.

Concluo, Senhor Presidente, relembrando uma pequena frase de Anatole France: …”Sem se iludir, a humanidade pereceria de desespero e de tédio”…

Um Bom Ano de 2009 também para Si, Senhor Presidente.

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domingo, dezembro 28

Definição de tempos máximos de espera


Preocupa administradores

…”Muitos hospitais não vão conseguir cumprir os tempos de resposta aos utentes definidos ontem pelo Ministério da Saúde. O alerta é dado por Pedro Lopes, presidente da Associação de Administradores Hospitalares (AAH), que considera que os objectivos definidos são "um bocado ambiciosos"…
…” O bastonário da Ordem dos Médicos partilha este cepticismo. "Fixar prazos é fácil, cumprir é mais difícil", diz Pedro Nunes, referindo que este não é o caminho para resolver o problema das listas de espera. No entanto, o bastonário considera que portaria é "um projecto bem intencionado"…


Estamos, assim, perante um projecto classificado, por tão notáveis dirigentes, como algo que se encontra algures entre um projecto "um bocado ambicioso” mas ao mesmo tempo “bem intencionado”…

É este o drama central da sociedade portuguesa. O estiolamento intelectual dos representantes das “elites” (ainda que corporativas). Perante uma medida legislativa concreta, favorável a uma maior transparência e responsabilização dos serviços somos confrontados com trejeitos opinativos de quem nada, efectivamente, pode acrescentar ao sistema em termos de pensamento, de reflexão ou mesmo de contributo prático.

Então não será útil introduzir mecanismos de responsabilização das equipas de gestão e de todos os profissionais para que sejam capazes de se organizar de forma adequada e autónoma? Continuamos no mesmo vício de dependência crónica da Tutela? Quando o Sr. Presidente da APAH refere: … Na cardiologia, por exemplo, é preciso garantir que os hospitais têm os equipamentos necessários para dar resposta em tempo útil”… onde está a sua responsabilidade enquanto gestor? Continuamos a ter “gestores de carreira” que aceitam responsabilidades e não são capazes de por elas responder? Ou será que o verdadeiro incómodo vem da promessa do SES quando diz que "serão introduzidas progressivamente, (penalizações) a partir da contratualização para 2010".

É evidente que esta “cultura” de dependência burocrático-administrativa da “Tutela” tem destruído os nossos Hospitais. Se a esta medida se seguisse a efectiva descentralização da gestão hospitalar com a progressiva autonomia dos profissionais (modelos do tipo CRI) o Hospital público encontraria uma nova dinâmica avocando os profissionais do terreno para os processos integrados de governação clínica e delimitando a intervenção dos “burocratas” tutelo-dependentes.

Quanto ao Sr. Bastonário nada de novo. Permanece coerente com o seu fraco entusiasmo por tudo o que sejam medidas que promovam a eficiência e a transparência do SNS…

Valha-nos o positivismo militante do Luís Pisco.
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quarta-feira, dezembro 17

Natal Feliz


Caros Amigos
Um Natal muito Feliz para todos

Não resisto a completar as sugestões do nosso colega Dr. Feelgood com um conjunto de previsões para 2009 que constam do cardápio reservado da astróloga Maya.

- A Universidade Nova publicará um estudo garantindo que o Hospital de Braga é um dos seis melhores Hospitais Universitários da Península Ibérica
- A Ministra Ana Jorge inaugurará a 321ª Extensão de Saúde do seu mandato
- Correia de Campos iniciará a publicação de uma série de pequenas brochuras de fácil leitura cujo 1º volume terá como título: …”Encerramentos de Urgências para Tótós”…
- Francisco Ramos conseguirá baixar para 96 o número de genéricos de omeprazol disponíveis em Portugal
- João Baião ganhará o Prémio Pessoa
- João Cordeiro lançará um programa de cateterismos nas farmácias para detecção precoce da insuficiência coronária com milhas a dobrar no cartão de crédito nos casos de estenose grave
- José Manuel Antunes criará um Blog
- Manuela Moura Guedes protagonizará o rosto da nova campanha publicitária dos HPP cujo lema será: “ajudamos a cuidar de si e do seu botox”
- O Dr. João Rendeiro fundará o BPP (Banco Público Português)
- O Dr. Manuel Teixeira fará o outsourcing da dívida do SNS numa PPP com o Citigroup
- O Dr. Nuno Delerue lançará um novo projecto de Check-Up’s nos salões de cabeleireiro e nas saunas com convenção com a ADSE
- O Dr. Pedro Nunes instalará biometria na sede da Ordem dos Médicos
- O Governo injectará mais 40 mil milhões na Banca
- O GPS do BPN ganhará o concurso das PPP’s de Vila Franca de Xira e esta cidade passará a zona franca mudando de nome para Offshore de Xira
- O Hospital da Luz fará uma parceria com a Sonae para instalação de macas da urgência na Worten
- O Hospital do Desterro será vendido por 1 Euro ao Banco Alimentar contra a Fome
- O Dr. Pedro Lopes será reeleito para um 2º mandato com 4 votos
- Pedro Passos Coelho será nomeado Presidente da Caixa Geral de Depósitos
- Pedro Santana Lopes construirá um túnel entre o novo IPO e o Hospital de Todos-os Santos em Chelas
- PKM será convidado pela RTP para produzir com Edite Estrela um programa sobre Língua Portuguesa
- Será lançado o Programa “Catarata na Hora”

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segunda-feira, dezembro 8

Política do Catavento


O problema é, por um lado o catavento, que gira, como se sabe, desordenadamente, ao sabor do vento. Por outro lado é importante analisar os fluxos de "dirigentes" para o sector privado. Aí estão muitas das respostas. A esse respeito, ao que se julga saber, estão para"rebentar" mais umas novidades. Daria um excelente trabalho académico. A questão a formular poderia ser do tipo: "Diz-me onde estiveste, o que fizeste, quem ajudaste e dir-te-ei para onde irás"...PPP's no seu melhor...
Se o rumo fosse mais linear a marinhagem não se sentiria tão desinibida a desertar e a esquecer os códigos de conduta...

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quinta-feira, dezembro 4

Dá milhões!

Gestão excêntrica
O desplante não tem limites. Os neo-liberais de pacotilha tudo compram...Nem no momento da saída prevalece a dignidade, seriedade e ética. Uma história de truques e golpes é agora branqueada por um oportuno "estudo taillor-made"...
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terça-feira, dezembro 2

Ensaio sobre a cegueira ...


As crónicas de PKM constituem um poderoso tónico para todos os que acreditam nos fundamentos do Estado Social, do primado da justiça e da equidade sobre o utilitarismo económico cínico e oportunista. Estas crónicas merecem ser comentadas não tanto pela sua valia intrínseca (em boa verdade os textos de PKM tendem a ser sofríveis) mas porque estimulam o contraponto a tudo aquilo que ele protagoniza no âmbito de uma agenda oculta de interesses que se organizam em torno do SNS.

Neste seu último artigo PKM volta a dirigir baterias para os Hospitais, EPE. Perguntarão os mais atentos porquê? É-lhe conhecida alguma experiência profissional ou académica digna de registo na área hospitalar? Tem trabalho feito, escrito, comunicado ou publicado sobre a matéria? É evidente que não. Na sua deambulação opinativa conhecemos-lhe apenas o ponto de partida (Marketing) mas desconhecemos qual será o ponto de chegada. Trata-se, com efeito, de um colunista sem rumo definido que opina à deriva de impulsos de contornos mal definidos. Se assim não fosse não postularia com tanta leviandade quando diz:
…”As “falências” de hospitais EPE são inevitáveis”...
Relevando o facto de que para PKM, provavelmente, fará mais sentido que um Hospital vá a falência do que um Banco (BPN, BPP, etc) a resposta a esta aparente perplexidade é-nos dada por um post (autorizado) no DE, a propósito do seu artigo, por um tal AT. Curiosamente o mesmo que no SaúdeSA escreveu ao Xavier em nome de PKM (arriscamos a dizer que se trata de uma deriva pessoana)...

Nesse referido post do DE é referido: …
” Vamos esperar que Sócrates nos explique porque não acabou com todas os projectos de gestão privada uma vez que, como argumentou no inicio de 2007, "os hospitais EPE eram um grande sucesso" e já não eram precisas mais experiências de gestão privada por isso acabou com o Amadora-Sintra. Ora se afinal não é assim, já não percebemos nada. Menos ainda percebemos quando se pede para "estudar" as PPP numa comissão liderada pelos mesmos que fizeram o relatório da susatentabilidade. Ora nesse relatório já devia ter sido estudada a questão das PPP se fosse um relatório feito a sério... que país é este?”…
Atente-se nas coincidências: erros ortográficos, nostalgia do Amadora-Sintra, ataque à Comissão da Sustentabilidade…

Aqui está, finalmente, encontrada a explicação para o ataque sistemático aos HH’s EPE. É que PKM não está, minimamente, interessado em privatizar Bancos. Esses já estão privatizados desfrutando, neste preciso momento, da “grande farra” financeira que as suas “parcerias” com o Estado lhe está a propiciar. O que ele quer é ajudar a capturar os HH’s públicos para fazer proliferar Amadora-Sintras (onde os Acordos Modificativos não lhe suscitam nenhum comentário) e um imenso mar de PPP’s.
Tudo o resto (para além da manifesta desonestidade intelectual) resume-se a um imenso Ensaio sobre a Cegueira…

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domingo, novembro 23

Transparência


Ao que se julga saber irá existir, no âmbito do Ministério da Saúde, um Portal da Transparência. Trata-se de uma iniciativa muito meritória. Deixaremos de estar limitados (apenas) à velha declaração de rendimentos dos dirigentes que integram os órgãos de topo das entidades públicas e passaremos a ter (julgamos nós) os registos e declarações de interesses dos actores que intervêm nos diferentes processos de decisão, no âmbito do sistema de saúde. Com efeito, será muito útil conhecer as relações com a indústria farmacêutica e de biotecnologia (Consultores, Relatores, Investigadores), a discriminação dos diferentes tipos de sociedades de prestação de serviços e de consultadoria, o exercício simultâneo ou subsequente de funções de perito em organismos e comissões do Ministério da Saúde, a participação interessada em associações, sociedades e empresas com interesses directos ou indirectos nas matérias influenciadas pelas decisões tomadas enquanto peritos, a consultadoria a grupos privados de saúde fornecedores de serviços ao Estado, etc, etc, etc...

Como a dimensão das nossas elites técnicas, científicas e políticas é muito pequena o engarrafamento nos corredores dos interesses torna-se, de facto, muito conflituoso.
No entanto, há que convir que se, algum dia, vier a ser publicada anual e sistematicamente, este tipo de informação teremos, claramente, explicitadas as respostas a muitas perguntas que todos nós colocamos, diariamente, e que representam verdadeiras charadas.
O pior que poderia acontecer seria encontrar directores de serviço de acção médica de Hospitais públicos que tivessem interesses em firmas que vendessem serviços a esses mesmos hospitais. Ou de peritos que participassem na definição de guidelines, normas ou regimes de contratualização pública a privados e estivessem associados a entidades destinatárias desses contratos, ou de directores de serviço de acção médica com grandes consumos de fármacos que fossem, à tarde, consultores de laboratórios que comercializam os fármacos que eles próprios prescrevem. Isso seria muito perturbador. Felizmente que o novo Portal da Transparência nos irá demonstrar que nada disso acontece em Portugal.

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A importância


de ter um ex-secretário de estado…
Notícia do JN:
…”Foi secretário de Estado da Saúde da ministra Leonor Beleza e, hoje, ocupa o lugar de vice-provedor da Misericórdia do Porto. Por inerência, exerce o cargo de presidente do Conselho de Gerência (CG) do Hospital da Prelada. Ao JN, o médico Joaquim Faria e Almeida manifestou optimismo quanto ao futuro da unidade hospitalar e no êxito das parcerias estabelecidas com o Ministério da Saúde”…

Parece evidente existir uma correlação positiva, para os grupos privados, entre recrutar um ex-secretário de estado da saúde e as coisas correrem bem nas parcerias com o Estado. É assim na Prelada. Seguiram-lhe os passos, entretanto, dois dos três maiores grupos privados de saúde em Portugal. Qual será o senhor que se segue?

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