domingo, fevereiro 21

Receita sem papel


Depois da generalização da prescrição electrónica de medicamentos, tanto no sector público como no privado, foi a vez de arrancar a implementação da “receita sem papel” Portaria nº 224/2015 de 27 de julho, um novo modelo eletrónico que inclui todo o ciclo da receita, desde da prescrição médica, dispensa na farmácia e conferência de faturas no CCF (Centro de Conferência de Faturas). 
Basicamente, o sistema assenta num equipamento instalado nas farmácias da ANF que identifica as receitas prescritas aos utentes do SNS, através da leitura do cartão de cidadão ou a introdução do número de utente, passíveis de serem dispensadas em qualquer farmácia da rede. link 
A lista de vantagens que resultam da implentação deste sistema é extensa link 
a) Para quem gere: O sistema ao gerar informação rigorosa sobre a prescrição, dispensa e custos associados, permite um melhor planeamento e gestão das necessidades e custos dos medicamentos. 
b) Segurança: A desmaterialização reduz as oportunidades de fraude. As receitas aviadas em qualquer farmácia da rede são automaticamente invalidadas. 
c) O sitema vai permitir aos medicos conhecer o volume de prescrições não dispensadas devido a incapacidade financeira dos doentes ou outras. 
d) Benefício dos utentes: - Os utentes podem optar por aviar todos os produtos prescritos ou apenas parte deles, sendo possível levantar os restantes em diferentes estabelecimentos e em datas distintas; - Os utentes podem indicar ao seu médico um email e número de telemóvel para receber informações sobre a prescrição; - Os utentes recebem por SMS os códigos de acesso, dispensa, direito de opção e o número da prescrição; - A mesma receita poderá incluir medicamentos de tipologia diferente, por exemplo, fármacos destinados à diabetes e outros tratamentos não comparticipados. 
e) Comissão de Acompanhamento da Receita Sem Papel (CARSP) - integra representantes dos vários entidades intervenientes no processo de prescrição eletrónica e dispensa de medicamentos, sendo a respetiva composição e competências definidas por despacho do membro do Governo nresponsável pela área da saúde. (não há notícia que ACF queira mexer na actual equipa). link 
A SPMS realizou, em 2013, os primeiros testes de funcionamento do sistema nas farmácias da Figueira da Foz e de Setúbal . 
Presentemente o sistema está em funcionamento nos centros hospitalares de Setúbal, Lisboa Ocidental e Lisboa Central, do Porto, S. João, Leiria- Pombal, Coimbra, e de Trás-os-Montes e Alto Douro bem como nas unidades locais de saúde de Matosinhos, Alto Minho, Nordeste Transmontano e Castelo Branco. 
«Para o início do ano prevê-se que o novo sistema já esteja a funcionar em toda a rede hospitalar do SNS e que a partir daí comece, gradualmente, a ser implementado na totalidade das unidades dos cuidados de saúde primários. Um processo que poderá levar anos a estar concluído confessou em julho, ao Público, o presidente dos SPMS, e coordenador da CARSP, Henrique Martins.» link 
Há ainda um longo caminho a percorrer. Queixam-se os profissionais de saúde das “Falhas constantes e desactualização das bases de dados do software de prescrição electrónica de medicamentos concluindo não estarem reunidas as condições técnicas para que o programa possa ser utilizado de forma eficiente” link. Por outro lado, constatou-se que apenas metade dos médicos têm Cartão de Cidadão ou da sua Ordem, o que dificulta e de que maneira a implementação da receita médica sem papel. link 
As habituais Guerras do Alecrim e Manjerona quanto se trata de alterar hábitos e introduzir processos inovadores ?
Veremos como a equipa de ACF se comporta na condução de mais este delicado processo.

Etiquetas: ,

quarta-feira, maio 23

How Mobile Technology Influences Health Innovation



How Mobile Devices are Transforming Healthcarelink

Etiquetas:

quinta-feira, dezembro 8

CIC

Fim do RSE ? link
Aí temos a resposta.
Depois da extinção da Comissão Nacional do Registo de Saúde Electrónico (CNRSE)
link o Governo cria a Comissão para a Informatização Clínica (CIC) - link
Que tem um ano para implementar a Plataforma de Dados de Saúde, constituída por dois portais: um dedicado aos doentes e outro aos profissionais.

Etiquetas:

quarta-feira, março 2

EHRs, impacto no ambulatório

"Electronic Health Records and Clinical Decision Support Systems - Impact on National Ambulatory Care Quality", Max J. Romano, BA; Randall S. Stafford, MD, PhD , Arch Intern Med. Published online January 24, 2011.

Este estudo conclui não exirtir nenhuma associação consistente entre EHRs e CDS e a melhoria de qualidade. Estes resultados levantam preocupações sobre a capacidade da tecnologia de informação em saúde para alterar fundamentalmente a qualidade da assistência do ambulatorio.

A esperada reacção de algumas estrelas da blogosfera.
1.º - Why this primary care doctor loves his EHR
link
2.º - Health Care Renewal
link
3.º - Medical Center
link
4.º - Health Blog
link

Etiquetas: ,

segunda-feira, março 1

Futuro da Medicina

Etiquetas: ,

segunda-feira, fevereiro 8

RSE, 2.ª fase


Terminou em 31.01.10 o prazo para a ACSS apresentar o plano de operacionalização do programa Registo de Saúde Electrónico (RSE) (desp. n.º 27309/2009) link

O RSE que irá permitir, a partir de 2012, o acesso dos profissionais de saúde a informação clínica relevante, independentemente do momento e local da sua prestação, envolve inúmeras dificuldades como a multiplicidade, diversidade e complexidade da informação, armazenada em bases de dados não acessíveis numa única plataforma (Sinus, SAM, SAPE e Sonho), que primam pela sua desactualização, ausência de normas de interoperabilidade, de terminologias e factores de segurança de informação. Por outro lado, não menos dificil, é conseguir a indispensável padronização do conteúdo e estrutura do RSE, por forma a atingir a interoperabilidade entre sistemas, que deve ser constituído por um resumo de dados do doente, onde se devem incluir a história clínica, alergias, problemas activos, MCDTS e terapêutica habitual.
Há, por conseguinte, todo um complexo e demorado trabalho a desenvolver : a) definição da informação nuclear dos RSE; c) escolha de standards, nomenclaturas, códigos e ontologias; d) desenvolvimento das infraestruturas e políticas de segurança; e) produção de RSE padronizados, interoperáveis em formato aberto, para partilha de dados e gestão de informação. E, essencial, reunir verbas para o pesado investimento a realizar.
Na condução deste complexo processo não é demais realçar o trabalho e empenho do secretário de estado, Manuel Pizarro.

DOCS:
1.º - RSE road map
link
2.º - RSE – Registo de Saúde Electrónico R1: Documento de Estado da Arte
link
3.º - RSE – RSE R2A: Orientações para Especificação Funcional e Técnica do Sistema de SER
link
4.º - Dados pessoais ligados à saúde em registos de saúde electrónicos (RSE)
link
5.º - What is EHR
link
6.º - Accomplishing EHR/HIE: Lessons from Europe
link
7.º - On the implementation of privacy and data protection principles
link
8.º - Médicos têm dúvidas sobre registo de saúde electrónico
link
9.º - Saúde em linha –Plano de acção para um espaço europeu da saúde em linha
link
drfeelgood

Etiquetas: ,

sexta-feira, janeiro 22

Cloud Computing

Caros Amigos,
O rápido desenvolvimento e utilização das tecnologias “Cloud Computing”, levou-me a incluir nesta NEWSLETTER um conjunto de informações sobre o que se está a passar neste momento nesta área estratégica para as TICs, e também para o eHealth.

Em Portugal, o Serviço de Cirurgia Cardio-Torácica do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia utiliza tecnologia “Cloud Computing”, o que lhe permite manter contacto permanente em relação às experiências, estudos, debates, e troca de ideias de profissionais estrangeiros, com repercussão assinalável nos resultados e ganhos de qualidade deste serviço .
Sou levada a supor que se trata de um caso isolado no nosso país, fruto do conhecimento e experiência de trabalho internacional dos médicos do CHVN de Gaia.
Numa próxima NEWSLETTER tenciono publicar em detalhe toda a informação relativa à experiência deste Serviço.

Nota: Cloud Computing, utilização das mais variadas aplicações (arquivos, programas) num sistema único, através da internet, com a mesma facilidade de tê-las instaladas nos nossos próprios PCs.
Artigos relacionados:
HP e Microsoft anunciam parceria estratégica para Cloud Computing
link
Cinco tecnologias TI indispensáveis em 2010 link

Maria Laires

Etiquetas: ,

sábado, dezembro 26

O SNS está a ficar modernaço


O recém criado e-SIGIC, vai permitir aos utentes do SNS consultar "on line" os tempos de espera cirúrgicos.
O e-agenda é outro serviço “on line” que permite aos utentes do SNS, marcar consultas do médico de família através do Portal de Saúde
link

Nota: Segundo dados recentes do Eurostat, apenas 48 por cento dos lares portugueses têm acesso à internet link

Etiquetas:

segunda-feira, setembro 14

Portugal melhora


Caso vos tenha “escapado” este artigo da “Computers World.com.pt”. link

A qualidade do estudo é muito boa e traduz os resultados conseguidos através de um trabalho persistente (e complexo), concretizado por Portugal neste domínio.

Citando o original:
[Portugal reforçou consideravelmente a sua posição na sociedade de informação no território europeu. Contudo, e apesar desta realidade, em alguns dos indicadores - permanecemos atrasados relativamente aos países mais desenvolvidos e que lideram esta nova realidade no espaço europeu.

Para a construção do índice eEuropa, a equipa da CXO Media utilizou um conjunto de indicadores definidos pela Comissão Europeia no “benchmarking” de avaliação da iniciativa comunitária i2010 (ver metodologia).
Assim, e segundo os dados por nós compilados, Portugal obteve uma pontuação agregada de 0,581 na edição deste ano, o que lhe permitiu ascender à 14ª posição da listagem. Para tal terá contribuído o desempenho alcançado nas categorias de eGovernment (12ª posição) e de eBusiness (9ª posição).]

Maria Laires

Etiquetas:

quarta-feira, agosto 12

A informática do nosso SNS


Sobre o Artigo “Informática como instrumento de manipulação” link

Infelizmente conheço melhor do que ninguém (uma “força de expressão” usada sem segundas intenções) o que se tem passado desde há 30 anos para cá na chamada “informática” do nosso SNS.

Considerando esta notícia publicada no Publico como muitíssimo oportuna, ela foca, no entanto uma parcela quase insignificante da questão mais global da situação crítica e inoperante - e que se tem vindo a degradar de há “anos para anos” – do estado em que se encontra a referida “informática” do nosso SNS.

E que resulta tão somente do facto de – desde há quase 30 anos – não existir no Ministério da Saúde em Portugal (“a” excepção em toda a EU) nenhum organismo independente, com reconhecido know-how e experiência interdisciplinar, não só a nível da sua administração/gestão/desenvolvimento nacional (conhecedores do funcionamento actual e das necessidades de um SNS evolutivo, das disciplinas e regras da Medicina, especialistas com formação certificada nas TICs, Gestores de WEB e de Comunicações, especialistas em Standards e Qualidade na Saúde, economistas de saúde, ….), mas, a nível internacional, com imagem reconhecida pelos seus congéneres dos restantes países da EU, e também pela CE.

- Organismo nacional a quem caberá preparar, em cada 3 anos, um “Plano de Desenvolvimento de Sistemas e das TICS no SNS (xxxx-yyyy) ”.
- Organismo responsável pela apresentação de Relatórios Anuais do exercício e de resultados (sistémicos, administrativos e financeiros – investimentos e economias (ou a sua previsão no tempo e quantificada), com a inclusão do respectivo Diagnóstico de situação – o qual, se tal for necessário, deverá ser complementado com a apresentação de um “plano de contingência” a ser executado no ano seguinte.

Para além das suas competências nacionais, é impensável que os seus responsáveis, a diversos níveis, não mantenham regulares contactos – directos - com a direcção da Unidade de e-Health da CE e com os seus serviços. “Aprendizagem, lobby, e eventual obtenção de co-financiamento da EC para projectos regionais” resultando desses contactos institucionais/pessoais - são mais valias preciosas a serem conquistadas, contribuindo para que Portugal melhore a sua imagem no espaço e no mercado Europeu.
Para além dessas iniciativas em Bruxelas, torna-se “obrigatório” serem criadas as necessárias condições para:
- participação em Consórcios internacionais (EC-Calls, Projectos EU, Estudos, …), e para
- participação (com desejável apresentação de “papers”, ou intervindo como “speakers”) nos principais Congressos e Conferencias de reconhecido prestígio e qualidade internacional, relacionados com eHealth, Standards, HIT Management ou outras áreas relevantes para o regular e pró-activo exercício de funções nesse Organismo nacional (estes Eventos realizam-se anualmente, e têm grande importância para objectivos ligados não só à “formação/actualização”, e à formação de “lobby” a nível internacional, mas permitem também o surgimento de decisões no local - orientadas para “business” e pré-preparatórias de novos Consórcios internacionais a serem criados posteriormente).

Uma actividade indispensável também ao bom funcionamento e ao cumprimento das responsabilidades desse “Organismo nacional” perante os utilizadores do SNS (médicos, doentes, gestores hospitalares) será, sem dúvida a criação de uma política de “formação contínua” dos seus quadros e dos funcionários em geral.

Portanto, acabei de descrever o “fundo da questão” relacionada com a notícia do Público.
Que podia ter sido resolvida, e bem, desde há cerca de 30 anos para cá (à época, 1979, a OCDE manifestou o seu apreço pela estratégia do Plano/programa em curso no SIS - um instituto com autonomia financeira e administrativa criado em 1977 - projecto que considerou como inovador e “piloto” na Europa (onde, como responsável do SIS e a convite da OCDE, eu mesma pude realizar várias apresentações do “Plano Director” em curso, ao mais alto nível e em diferentes Países onde a “Informática da Saúde” dava os seus primeiros passos.

O desperdício causado pela eliminação desse “Organismo-piloto” é irreversível, e não-quantificável, acabando por, indirectamente ter um efeito terrivelmente negativo: provocou um prolongado “arrastamento de situações penosas para o País” até ao presente momento - tendo à cabeça o próprio desgaste provocado (a vários níveis) no próprio SNS.
De facto, o surgimento em 1982 da era “pós-SIS”, deu origem ao início de sucessivas e diversas fases de grande instabilidade funcional, que se mantiveram praticamente até à data da extinção total do novo “organismo que foi então criado” – o IGIF.
Durante esse longo período de mais de 25 anos, o desinteresse ignorante, a par de uma progressiva acumulação de falta de “competência/expertise” passou a ser apanágio deste sector. Isto a par da instalação duradoira de uma política de “in-cultura” tecnológica - quer dos responsáveis quer dos seus operacionais. Finalmente, esta situação acaba por ser gravemente afectada pela ausência de qualquer política nacional de coordenação das TICs – o que tem levado a que se assista a:
- uma evidente proliferação de soluções fragmentadas (e não certificadas), instaladas caso-a-caso, e que todos conhecemos.
- à ausência de aplicação de Standards comuns (a nível Europeu) nos sistemas instalados, e que também acabam por não são passíveis de um controlo de qualidade sistemático (o que, conjuntamente com a certificação do Sistema, se torna imperativo para qualquer concurso obrigatoriamente internacional,).
- ao facto das tecnologias avançadas não terem podido ser tomadas como “paradigma” de novas formas de trabalho, e consequentemente, não ter sido possível contribuir-se de forma positiva para as necessárias políticas de manutenção-upgrade do SNS (isto é, evitando-se assim as actuais políticas de funcionamento “estacionário” no tempo, e permitindo através das aplicações avançadas das TICs , obterem-se enormes melhorias a nível nacional, não estando afastadas as de cariz económico) .

- instalações de sistemas “pontuais”, isolados, não permitindo – p. ex. num mesmo hospital - a sua integração/interacção com outros sistemas já instalados anteriormente, e em permanente funcionamento nos serviços desse hospital

- aumento constante de vultuosos gastos/não-investimentos/ prejuizos financeiros, que tais situações comportam (incluindo, p.ex., as exorbitantes despesas feitas com os – até agora indispensáveis - transportes de doentes envolvendo terceiros, e que cobrem todo o território nacional).
Gastos que também se reflectem em “más práticas” da utilização do escasso Orçamento da Saúde - limitando portanto uma sua melhor aplicação pelo Ministério: melhoria dos serviços, equipamentos, e da gestão dos RH, que teria forçosamente um impacto positivo na qualidade da prestação dos cuidados de saúde aos pacientes.

A profusão e confusão criada por esta verdadeira “manta de retalhos” - onde “dorme” o nosso SNS, imperturbável - tendencialmente irá agravar-se ainda mais.
Coser “remendos” é puro desperdício – de inteligência mal aplicada, de tempo e de dinheiro – sem nenhum benefício nem para o País (todos nós, cidadãos), nem sequer para o cabal funcionamento do Ministério da Saúde.

[Á semelhança do que já acontece em muitos países da EU (NL, DE, UK, FR,….) a “coabitação” no OGE da Saúde de dinheiros públicos e privados, virá talvez a ser, dentro de alguns anos, uma boa “oportunidade” para o SNS melhorar a sua prestação no terreno – mas servirá sem dúvida, e sobretudo, para passar a responsabilizar os actores num terreno que beneficiará nessa altura dum novo tipo de “coesão” ]

O estranho é que, apesar de estarmos perante um cenário que, lentamente mas progressivamente, se tem vindo a “afundar” no fosso de uma orquestra que já lá não está, nada parece demover (melhor, influenciar) as pessoas responsáveis por este estado de coisas.
Nem o mais pequeno “gesto” é feito!

Uma nova política para as TICs, que espero, possa finalmente vir a surgir no futuro (?), irá ser concretizada necessariamente através de um novo Organismo, que, para além de assumir novos tipos de responsabilidades, infelizmente irá confrontar-se com este estado de coisas (associado quer simplesmente a “deficiências culturais”, quer a mentalidades fechadas à inovação e progresso que acrescentarão dificuldades ao trabalho de fundo que terá de ser feito).

Isto é, obviamente que esses novos responsáveis pelas TICs no SNS, terão à sua frente (e nos 3 anos seguintes aos da sua entrada nesse Organismo) um trabalho gigantesco, revestido de grande complexidade, de modo a poderem vir a “transformar” e racionalizar:
a) quer as más-rotinas de funcionamento instaladas,
b) quer o verdadeiro sub-mundo das centenas de “pequenos sistemas“ instalados (e os interesses “satélites” que lhes estão associados – interna e externamente)

Todo este trabalho ciclópico, terá de ser feito em paralelo com o da necessária /temporária manutenção do actual “status.quo”.

E, “last but not least”, também lhes competirá avançar no terreno numa área quiçá mais sensível, ou mesmo difícil: terão de dar início à gigantesca, grande revolução das mentalidades. Mas, também terão de avançar com a necessária preparação/formação/requalificação de praticamente todas as profissões das pessoas que estejam envolvidas neste cenário - no actual, e/ou na preparação do futuro.

A quem vier a caber todo este grande e enaltecedor trabalho de mudança, desejo “coragem” para enfrentarem este “gigante do Adamastor”, lucidez (se possível “diplomática”) para a análise dos problemas e das “negociações” desgastantes do dia-a-dia, perseverança nos objectivos traçados, e, …. sem sombra de dúvida que irão também precisar de “boa sorte” !
Claro que seguem também os meus melhores votos de “grande sucesso” para os resultados que vierem a ser atingidos!

Maria Laires
link

(Fundadora e ex-presidente do SIS – 1977) (Fundadora da APIM- Assoc. Portuguesa de Informática Médica - 1980) (Fundadora da ADT –Assoc para o Desenvolvimento da Telemedicina – 1997)

Etiquetas:

terça-feira, agosto 11

A informática

foto IOL
Como instrumento de manipulação

Em que ficamos: quantas bases de dados do cartão de utente existem? Uma? Cinco? Trezentas e cinquenta?

Como os leitores mais atentos já devem ter reparado (artigo da edição de 31 de Maio "Não há erros informáticos") o info-analfabetismo de alguns dos nossos decisores fascina-me. O mais recente episódio gira em torno da polémica entre o Tribunal de Contas e o Ministério da Saúde sobre os médicos de família.

O coordenador da Unidade de Missão de Cuidados de Saúde Primários (UMCSP), Luís Pisco, afirmou peremptoriamente que "ninguém sabe certamente quantos utentes estão sem médico de família". Ao que parece, segundo ele, não existe um registo nacional de utentes, mas sim 350 bases de dados (tantas quantos os Centros de Saúde). Também não há uma lista nacional de profissionais de saúde.

Menos de 24 horas depois, o secretário de Estado Adjunto da Saúde, Manuel Pizarro, falava NUMA "base de dados de utentes que não permite com absoluto rigor conhecer qual é o número de utentes". E defendeu que o Tribunal de Contas tinha a obrigação de ter reparado que a soma do número de utentes era superior à própria população portuguesa. Refira-se que o número de utentes - 11,3 milhões de utentes - foi fornecido por organismos do Ministério da Saúde.

Sublinhe-se que o cartão de utente do Serviço Nacional de Saúde (SNS) foi criado em 29 de Julho de 1995 pelo decreto-lei nº 198/95. Aí se atribuiu às cinco Administrações Regionais de Saúde (ARS) existentes a responsabilidade pelas bases de dados. Mais tarde foi decidido centralizar numa única base de dados os dados do cartão de utente, processo acelerado com a criação do cartão do cidadão.
Existe uma estrutura no ministério da Saúde que deveria assegurar toda esta operacionalização: O IGIF - Instituto de Gestão Informática e Financeira da Saúde - entretanto substituído pela ACSS - Administração Central do Sistema de Saúde.

Em Março de 2008 podia-se ler no sítio na Internet da ARS de Lisboa e Vale do Tejo que a limpeza de ficheiros dos Centros de Saúde apontava para um total de entre 8,7 a 8,8 milhões de utentes inscritos. Destes 1,3 a 1,4 milhões de residentes no continente não tinham cartão de utente. Calculava-se que 600 mil pessoas, não tinham médico assistente nos Centros de Saúde.

Estes são os factos (ou os dados, para utilizar linguagem de informático).
Agora as questões e responda quem souber.
Como é possível, a ser verdade, que no 30º aniversário do SNS ninguém saiba quantos utentes estão sem médico de família? Como se faz a planificação ("não se pode gerir o que não se pode quantificar")? Na base de quê andaram durante 30 anos a dizer que havia médicos a mais e que havia que restringir o acesso às faculdades de medicina? O que fez (faz) o coordenador da UMCSP, Luís Pisco, para inverter esta situação?
Em que ficamos: quantas bases de dados do cartão de utente existem? Uma? Cinco (tantas quantas as ARS)? Trezentas e cinquenta (tantas quantos os Centros de Saúde)? Como se processa a integração dos dados do cartão de utente no cartão do cidadão se, pelos vistos, existem utentes com mais que um cartão? Como foi possível, em menos de 17 meses, passar de 8,7 a 8,8 milhões de utentes inscritos para 11,3 milhões 8 (mais 2,5 milhões!!!)?

Desta vez os decisores não falaram em "erros informáticos". Já é um avanço! Mas a informática foi utilizada, mais uma vez, como instrumento de manipulação da realidade. As contradições, neste caso, são tantas que quase podemos dizer que não estamos perante simples afirmações de info-analfabetos. O grau de probabilidade de alguém nos estar a mentir é muito elevado...

António Vilarigues, JP 07.08.09 – via MUS

Etiquetas:

segunda-feira, julho 13

RSE, só em 2012


RSE: Manuel Pizarro garantiu no «e-Saúde 2009» que o Registo de Saúde Electrónico (RSE) só para 2012. link
Quase certo, é MP, nessa data, não ser secretário de estado da saúde nem fazer parte do governo.
Sobre o timing deste projecto, MP repetiu a lengalenga referida ao TM «O registo clínico electrónico é um processo, não é algo de miraculoso que apareça no dia seguinte, considerando como “meta alcançável e ambiciosa” que, no espaço de três anos, haja em Portugal um sistema nacional de registo da informação clínica»

RNU: O expurgo do registo nacional de utentes (RNU), segundo Manuel Pizarro, só estará concluído no final de 2010.
AOS PAPÉIS: Só então as entidades do Ministério da Saúde poderão saber ao certo quantos utentes não têm médico de família .
SOLUÇÃO: Com este cenário havia que fazer algo. Uma festa de arromba prá animar a malta sai sempre bem.

DOCUMENTAÇÃO e-Saúde 2009: (because we love PDF Files):
link

Etiquetas:

sábado, junho 20

Tapar o sol com a peneira


Também me parece que, o «e-saúde», uma iniciativa do secretário de estado da saúde, Manuel Pizarro, link a realizar na próxima semana (25 e 26 de Junho), é, essencialmente, um evento mediático, programado tarde e más horas, uma tentativa de justificar o injustificável.
Perdidos quatro anos da legislatura, a criação do RSE-Registo de saúde electrónico, uma das prioridades deste governo, foi remetida para daqui a dois a três anos.
Como resultado da fraca dinâmica posta neste processo, “continuamos a não dispor da informação clínica de cada cidadão numa qualquer plataforma on-line, em qualquer contexto de prestação de cuidados, em qualquer ponto do País e a qualquer hora”, traduzida em grave prejuízo de eficácia e aumento de custos do nosso sistema de saúde.

Etiquetas:

terça-feira, junho 9

O rei vai nu

A notícia do DN link link é interessante tanto pelo que deixa ver como pelo que omite.

Parece que na informática se hesita entre manter e desenvolver as “velhas e baratas” (plásticas) ou apostar nas novas, mais caras mas com mais info-appeal. Uns preferiam gastar menos uns cobres (IGIF e Sec. Estado), outros ter programas mais avançados (hospitais) - aqueles “orientaram” para as velhas, estes escolheram as novas. Mas não são subordinados daqueles?
Sim mas têm autonomia para comprar. Mas então?

O IGIF não podia ter definido características e requisitos das aplicações novas e feito concurso global para novas aplicações a adquirir pelos hospitais em melhores condições de preço e serviço, tendo o cuidado de envolver os hospitais e, previamente, avisar estes que na área em causa o investimento era aquele?

Há quantos anos dura o problema (das “velhas” e “antigos”)?
Bom o Sonho já o é há 30 anos (estamos mesmo no século XXI e em informática?) e parece que não houve tempo entretanto para o remodelar (ou “actualizar” e “desenvolver”) como era necessário. Porquê?

Os hospitais não repararam que estava demodée nem pediram a mudança?
Os pedidos foram constantes e repetem-se há muitos anos, sempre foi o IGIF o responsável (se o conceito se aplica), que tem a competência, o dinheiro e a capacidade em informática.

O IGIF não compreende que reparar eternamente um carro não tem sentido nenhum (andam em “bocas de sapo” ou já adquiram carros novos?) e que o custo de ter sistemas desactualizados é grande, em serviço ao cliente e em qualidade da informação (que também serve para medir e financiar, mas “isso agora não interessa nada”, como diria a outra)?

A entidade há tanto tempo responsável tem um plano director (ou estratégia como agora se diz) para a informação na saúde e como está a aplicá-lo (tendo em conta a desculpa apresentada)?

E depois ninguém sanciona estas prestações ao longo de anos? Bendita função pública. Abençoados contribuintes e súbditos que não reconhecem que o príncipe está roto e o rei vai nu, mas com capa.

big mess

Etiquetas:

segunda-feira, junho 8

e-saúde 2009


Ministério da Saúde promove o evento “e-saúde2009 - encontro das tecnologias de informação na saúde”, nos dias 25 e 26 de Junho, no Museu do Oriente, em Lisboa. link

Objectivos:

1. Apresentar as conclusões e recomendações do grupo de trabalho para o Registo de Saúde Electrónico, resultantes da reflexão desenvolvida ao longo do primeiro semestre deste ano;
2. Promover a divulgação de soluções e/ou de boas práticas já em funcionamento nas unidades de saúde, facilitando o contacto entre fornecedores de soluções e os profissionais de tecnologias de informação e de saúde;
3. Divulgar e promover a inovação e a criatividade, facilitando a ligação entre criadores, empresas e unidades de Saúde, com vista à criação de condições de produtização de novas ideias e soluções;
4. Avaliar o papel e o impacto das Redes de Nova Geração na realidade complexa que são os sistemas de Informação integrados da saúde;
5. Facilitar o desenvolvimento de redes profissionais que possam assegurar gestão dessa realidade;
6. Contribuir para a criação de um evento na área da TIC na saúde que se afirme no calendário das iniciativas regulares em Portugal.

Etiquetas:

domingo, maio 3

RCE


O secretário de estado da Saúde, Manuel Pizarro, nomeou recentemente um grupo de trabalho encarregue de apresentar, até final do 1.º semestre, uma proposta de especificações e recomendações para a criação do registo clínico electrónico RCE
Despacho n.º 10864/2009
link DR, 2.ª série, N.º 82 de28.04.09

O grupo nomeado pelo SE é constituído por cerca de trinta elementos. Demasiado extenso se pensarmos que tem de apresentar o referido relatório até final do próximo mês de Junho.
De assinalar a integração neste grupo de elementos dos três principais grupos privados (ESS, HPP e JMS).

Etiquetas:

domingo, fevereiro 15

RCE, SAM/SAPE


Vimos que o pacote de estímulos à economia dos EUA, recentemente aprovado pelo Senado, prevê um conjunto de incentivos para os utilizadores de registos clínicos electrónicos (EHR – electronic health records), a partir de 2010". link
«Por cá, apesar das dificuldades com a largura de banda, as hesitações nas escolhas das aplicações/registos clínicos electrónicos, reclamações de concursos, etc., estamos muito à frente dos EUA. Nos últimos 4 anos fizeram-se progressos enormes.
Hoje a grande maioria dos médicos de família e enfermeiros dispõem de registos clínicos electrónicos, prescrevem electronicamente, e dispomos ainda de aplicações no mercado desenvolvidas entre nós para cuidados de saúde primários.» Avicena

Sobre os sistemas SAM/SAPE, que servem de base aos RCE dos CS e de alguns HH, um estudo efectuado pelo Gabinete de Análise Económica (GANEC) da FEUL, aconselha à manutenção e desenvolvimento destes sistemas informáticos.
link link
As voltas que o mundo dá!
Quantas criticas ouvi à inoperacionalidade, obsolescência, necessidade urgente de substituição destes sistemas nos últimos anos.
Afinal…. A coisa parece ter conserto.
Veremos as contas no fim.

Etiquetas:

quarta-feira, maio 21

Não havia necessidade...


O Estado gastou 7.863.450,00 euros, para adquirir 525 licenças da aplicação informática ALERT P1 (14.978,00 euros por licença), através de ajuste directo. A este valor acresce a despesa anual de manutenção que, em 2007, totalizou 463.182,75 euros
Segundo parece não havia necessidade…
link

(…) «De notar que em alguns locais da região norte, em particular na Unidade Local de Saúde (ULS) de Matosinhos e mais recentemente no distrito de Viana do Castelo, já é possível aos médicos dos centros de saúde acederem a dados do processo clínico hospitalar. Tal deriva do facto dos sistemas utilizados em ambos os pólos de comunicação terem sido desenvolvidos no mesmo meio (antigo IGIF, actual ACSS), possuindo arquitecturas similares. Isto é, em regiões onde os hospitais contam com o SONHO e com o SAM hospitalar, e os centros de saúde possuem o SAM, é fácil a consulta de dados sobre o doente que passa pelo hospital (motivos para episódio de urgência, exames, etc.). Igualmente fácil e ágil seria efectuar a referenciação entre os níveis de cuidados através desta ligação e contar com boa informação clínica de retorno, mas aí o Alert P1 acabou por se impor, gerando a confusão que se tornou pública nos últimos meses. Também a interoperacionalidade entre as outras aplicações dos CSP (MedicineOne e VitaCare) e os sistemas hospitalares seria facilmente atingida, do ponto de vista técnico, o que permitiria criar canais de referenciação directos. Desta forma, garantia-se aos médicos dos dois lados (hospitais e CS) o benefício de trabalhar apenas no seu ambiente informático natural. Não é, portanto, necessário, um grande salto dedutivo para perceber que o Alert P1 (enquanto ferramenta técnica), não é de grande utilidade, mesmo que o projecto que ajuda a implementar se baseie em conceitos muito importantes (referenciar por via digital, em busca de rapidez, simplificação e informação coerente). “Nos locais onde já estão instalados sistemas como o SAM e o SONHO, em boa verdade o Alert P1 nem seria necessário, porque a referenciação poderia ser feita de uma forma mais directa. Trata-se, hoje, de uma aplicação que não tem razão de existir.(…)
JMF, Tiago Reis, 20.05.08

Somos um país de oportunidades.

Etiquetas:

segunda-feira, abril 7

STI


Três casos para reflexão
1. - O Estado gastou 7.863.450,00 euros, para adquirir 525 licenças da aplicação informática ALERT P1 (14.978,00 euros por licença), através de ajuste directo. A este valor acresce ainda a despesa anual de manutenção que, em 2007, totalizou 463.182,75 euros. link

2. A Consiste (ANF) ganhou o concurso público para a informatização do IPO do Porto (solução global)
link depois de fazer um desconto de cerca de 60% sobre a sua proposta inicial. Este contrato custará ao IPO do Porto 1,212 milhões de euros .

3. O MedtrixEPR, link processo clínico electrónico do Hospital de São Sebastião, de Santa Maria da Feira link, foi distinguido como uma das três soluções mais inovadoras a nível mundial, na maior feira mundial de informática da saúde, que teve lugar em Orlando, EUA.

Etiquetas:

sábado, fevereiro 16

Simplex 2008



Simplex 2008 link

a) E-Agenda - marcação, via internet, telefone ou mensagem escrita de telemóvel (SMS), de consultas e MCDT nos CSP.
Objectivo: dar acesso à marcação electrónica de consultas a 30% da população utente dos CSP até final de 2008.

b) Prescrição electrónica de medicamentos e MCDT aos doentes crónicos - facilitar o receituário de medicamentos e MCDT aos doentes crónicos sem necessidade de se deslocarem ao estabelecimento de saúde prescritor.
Objectivo: totalidade dos CSP até final 2008

c) Portal da Transparência - disponibilização no Portal da Saúde de indicadores de acesso e qualidade do SNS e listas de espera para cirurgia .

A supervisão da implementação destas medidas caberá ao novo secretário de Estado da Saúde, Manuel Pizarro

Simplex 2007

Consulta a tempo e horas - pedido de marcação, em tempo real, de consultas hospitalares por parte dos centros de saúde.

Balanço: efectuados 125 500 pedidos de primeiras consultas de especialidade em 88 hospitais, que referenciam para 318 centros de saúde. Falta implementar a medida em 10 hospitais e 42 centros de saúde. Tem havido dificuldades em relação à utilização do software AlertP1, adquirido para operacionalizar a medida
link
Elaborado com base informação da TM 18.02.08

Etiquetas: