terça-feira, abril 9

Saúde não será poupada


Pedro Passos Coelho, quer reduzir a despesa pública da Saúde
... Para Pedro Pita Barros, os cortes podem acontecer no domínio da reorganização de serviços — incluindo o encerramento de duplicações e reconversão de equipamentos — e “identificação de melhores práticas clínicas e verificação do seu seguimento”.
Resta ainda, diz o economista, “procurar assegurar os objectivos assistenciais com maior flexibilidade e menor despesa”, através de uma redefinição das regras sobre a actividade dos profissionais de saúde, intervindo, por exemplo, na organização das equipas de urgência ou equipas de cirurgia.
Sobre outras possíveis medidas propostas pelos peritos do FMI Pedro Pita Barros mostra-se menos entusiasmado. “As alterações da ADSE estão previstas no memorando de entendimento, mas nada disso vai alterar de forma fundamental a despesa pública. Mas será uma possibilidade de contribuição, uma vez que está já previsto que tem que se tornar auto-sustentável.”
Quanto a um aumento de taxas moderadoras, deixa um sinal vermelho: “Alterar comparticipações e aumento das taxas moderadoras parece-me complicado, por duas razões: primeiro, estamos provavelmente muito perto do limite do que grande parte da população pode pagar num e noutro caso. E, no caso das taxas moderadoras, mesmo que voltem a ser duplicadas, não conseguiriam ser uma componente significativa do financiamento.”
Andrea Cunha Freitas, JP 09.04.13 link

Perdeu-se a oportunidade única do início da legislatura. Paulo Macedo contemporizou com tudo. Cansou-se de encanar a perna à rã.  Esgotado o tempo de feição à reforma de fundo, devidamente pensada, pressionado pelos  acontecimentos, o mais provável, no lugar da reorganização de serviços, e adopção de melhores práticas, é termos mais do mesmo. Mais cortes a eito.
Estou de acordo com PPB relativamente à taxas moderadoras. O seu aumento não aproveita a ninguém. Só se o objectivo do ministro for (hipótese macabra) afastar utentes dos cuidados de saúde poupando no gasto imediato.

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quinta-feira, junho 23

"Potencialmente irregular"

«Aspectos fundamentais das auditorias realizadas: SISTEMA DE PRESCRIÇÃO E CONFERÊNCIA DE FACTURAÇÃO DE MEDICAMENTOS DO SNS.

i. A evolução global do sector dos medicamentos prescritos nos cuidados primários do SNS, no 1º Semestre de 2010, quando comparado com igual período de 2009, apresenta um acréscimo de quase 10% do custo para o SNS como decorre do quadro acima.

ii. Os principais indicadores da despesa com medicamentos, nas ARS, no mesmo período, apresentam as seguintes características:
Total da prescrição emitida: cerca de 33 milhões de receitas/1º semestre de 2010;
Distribuição da prescrição por locais: prescrição pública (centros de saúde, hospitais e outros locais), 79%; prescrição privada, 21%;
Custo médio do SNS por embalagem de medicamento: €11,9;
Encargo do SNS com os 20 medicamentos mais importantes: cerca de 15% da despesa global;
Peso relativo dos regimes especiais de comparticipação: cerca de 58%.

iii. Em matéria de prescrição de medicamentos, não existem formulários terapêuticos (guidelines), enquanto documentos orientadores da prescrição a nível dos cuidados primários. A sua adopção poderá contribuir, de forma simples e eficaz, para diminuir os desperdícios com medicamentos e, consequentemente, os custos com os mesmos. De resto, trata-se de uma prática corrente a nível internacional, em particular a nível Europeu, cuja adopção importará equacionar;

iv. A prescrição manual, ainda bastante utilizada pelos médicos, apresenta diversas fragilidades ao nível da sua segurança, uma vez que as vinhetas e as receitas utilizadas são susceptíveis de serem desviadas e utilizadas de forma indevida, dada a ausência de controlo sobre as mesmas. Por outro lado, as assinaturas dos médicos não estão sujeitas a qualquer validação quanto à sua autenticidade. O risco de controlo, nesta área é muito alto e, consequentemente, o de cometimento de fraudes;

v. A prescrição electrónica, embora aparentemente apresente menores vulnerabilidades que a manual, não irá, no entanto, resolver, designadamente, o problema essencial da validação (automática) da assinatura dos médicos, uma vez que estes continuam a proceder à assinatura manual das receitas impressas, pois a aplicação não dispõe de funcionalidades que permitam a sua validação.

vi. Quanto à conferência da facturação dos medicamentos, as bases de dados dos utentes (BDU) e dos prescritores (BDP) encontram-se desactualizadas. Deste modo, o Centro de Conferência de Facturas (CCF) não se encontra habilitado a efectuar uma correcta conferência da facturação mensal;

vii. Quanto ao controlo efectuado pelas ARS, apesar de disporem de uma aplicação informática (SIARS - Sistema de Informação para as Administrações Regionais de Saúde), com grande potencial, que poderia optimizar o controlo da prescrição e fornecimento dos medicamentos ao longo do respectivo circuito, não é exercida uma intervenção sistemática e permanente sobre a informação fornecida pelo referido sistema, o qual já custou ao Estado muitos milhões de euros e não está a ser devidamente rentabilizado. Deste modo, inúmeras fraudes que têm vindo a ser cometidas, com enormes prejuízos para o Estado, poderiam ser tempestivamente detectadas e resolvidas, o que paradoxalmente, face à inércia existente, não se verifica;

viii. Como corolário das insuficiências anteriormente referidas e a exemplo de anteriores relatórios e participações efectuadas pela IGF ao Ministério Público, foram, uma vez mais, detectadas diversas situações de prescrição e aviamento de medicamentos comparticipados pelo SNS, tendo-se apurado que para um valor de comparticipação do SNS de M€ 3, cerca de M€1,2 (40% daquele valor), foi identificado como potencialmente irregular.»
Relatório de Actividades da IGF referente a 2010 publicado em 20.06.11, paginas 28,29,30.

1.º - Como era de esperar os títulos dos jornais dispararam:
DE: Fraude atinge 40% da despesa do Estado com medicamentos
link
I: Detectada fraude em 40% da despesa do Estado com medicamentos
link
TSF: Bastonário promete sanções duras para médicos envolvidos em fraude
link

2.º - Sobre este verdadeiro acontecimento jornalistico acho oportuno deixar algumas notas:
a) O referido relatório refere irregularidades potenciais: «Como corolário das insuficiências anteriormente referidas e a exemplo de anteriores relatórios e participações efectuadas pela IGF ao Ministério Público, foram, uma vez mais, detectadas diversas situações de prescrição e aviamento de medicamentos comparticipados pelo SNS, tendo-se apurado que para um valor de comparticipação do SNS de M€ 3, cerca de M€1,2 (40% daquele valor), foi identificado como potencialmente irregular.»

b) É certo que existem inúmeros casos de fraude, no nosso país, relacionados com a prescrição e distribuição de medicamentos comparticipados, alguns em investigação, como, aliás, sempre existiram.
Atentemos, no entanto, ao seguinte: Se as irregularidades verificadas pela IGF não fossem potenciais, a fraude teria atingido no ano transacto 640 milhões de euros, uma vez que a despesa do SNS com medicamentos vendidos nas farmácias foi nesse ano de 1,6 mil milhões de euros. O que achamos de todo irrealista, tendo em atenção outros indicadores como o aumento da comparticipação do estado e do preço dos medicamentos, verificados em 2010. link

c) Acho importante a lista de dificuldades detectadas pela IGF em relação a esta matéria, constantes do referido Relatório, que é necessário ultrapassar rapidamente.

Nota: Achei as ilustrações do Relatório da IGF, assim um tanto, naives, para o meu gosto. link

drfeelgood

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terça-feira, junho 21

Ana Jorge na hora da despedida

"Fica muita coisa feita e muita coisa por fazer. Quando terminamos um passo há um sempre outro para dar e isso significa continuidade. A Saúde nunca está terminada." link
JP 21.06.11
Será que AJ, cumprindo a tradição de quem sai e julga deixar obra, também tenciona publicar em livro as peripécias mais relevantes da sua governação, nomeadamente a sua preciosa intervenção na crise da pandemia da gripe A.

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segunda-feira, junho 20

O Maestro

«Depois de ter capitaneado o processo de derrube do Governo do PS, a começar no seu discurso de tomada de posse, Cavaco Silva dá mostras de também querer apadrinhar a partir de Belém o programa da coligação PSD-CDS/PP.
O seu discurso sobre a necessidade de revisão do conceito de "serviço público" em pleno congresso das misericórdias só pode ter o sentido de incentivar a privatização de responsabilidades públicas na área da saúde e da protecção social, desde logo (para começar) em benefício do chamado "sector social", mediante financiamento do Estado, que é um dos cavalos de batalha da agenda da direita naquelas áreas (e não só...).
Decididamente, o conceito de "uma maoria, um governo e um presidente" -- velha ambição do PSD finalmente alcançada -- começa a dar frutos. Resta, porém, saber se tal articulação explícita com o programa e a acção política da maioria governante não põe em risco a função moderadora e arbitral do Presidente da República, que requer uma fundamental autonomia presidencial face ao governo de cada momento.
Em vez de maestro à distância da performance governativa, o Presidente deveria assumir a sua função de supervisor e de "polícia sinaleiro" do funcionamento do sistema político. Quem é eleito para definir orientações de governo, formular programas de governo e conduzir a acção governativa é... o Governo. E também é o Governo, não o Presidente, quem responde pelo seu desempenho nas próximas eleições parlamentares. »
Vital Moreira, causa nossa, 20.06.11

...«Temos de reinventar o conceito de serviço público, nomeadamente na diversidade das áreas sociais. Um novo conceito que atenda mais à necessidade de dar uma resposta rápida e adequada aos crescentes problemas sociais da população portuguesa, do que ao respeito de uma visão ideológica que os tempos tornaram obsoleta».
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Aníbal Cavaco Silva na Sessão de Encerramento do X Congresso Nacional das Misericórdias, Arganil, 18 de Junho de 2010

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sexta-feira, junho 17

Paulo Macedo

Todos devem estar lembrados dos episódios chocantes protagonizados por Ana Jorge quando se tratava de abordar em público as contas da saúde. Para não falar dos inúmeros puxões de orelhas de Teixeira dos Santos.
Pois bem, nos próximos tempos estaremos em princípio livres de humilhações semelhantes. O próximo ministro da Saúde, uma surpresa, é Paulo Macedo um técnico experiente que sabe de contas.
A colocação de PM na Saúde tem uma leitura imediata óbvia: As Contas da Saúde são matéria da máxima prioridade do novo Governo de maioria PSD CDS-PP

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quarta-feira, junho 15

Tiros no Pé

Numa altura em que os liberais de pacotilha preparam o assalto ao SNS o Relatório da Primavera 2011 do OPSS link representa um autêntico tiro no pé do serviço público de saúde.
Foi ver, nestes últimos dias, comentadores e comentaristas de serviço numa excitação exaltante a cavalgar a “desgraça” relatada pelo relatório.
Não tendo tido ainda ocasião de o ler confesso que desconheço se existirá alguma análise sobre o “admirável mundo novo” do sector privado. Presumo que não. Até porque nesse sector tal como nas misericórdias prevalece única e exclusivamente o esplendor da eficiência, da eficácia e da excelência.

Voltando às réplicas do tsunami RP 2011, análises precipitadas podem, por vezes, conduzir a conclusões erradas. A reacção violenta da ARS do Norte e do presidente do S. João que, inclusivamente, ameaçou pôr tudo em tribunal não dignificam o SNS e desvalorizam o próprio RP 2011.

À beira da tomada de posse do governo mais liberal da nossa história vemos entregar de bandeja, por parte de quem teria obrigação de prudência e de defesa do serviço público, um naipe de argumentos saborosos para repasto do jornalismo pós-yuppie e dos comerciantes do sector.
Lá iremos ter a provável futura SE da Saúde, Dra. Isabel Galriça Neto, a evocar os apocalípticos pareceres e opiniões inscritos no RP 2011 como argumentário para destruir o SNS.

Faz tanta falta a experiência do terreno a certos “treinadores de bancada”…
Pobre SNS com amigos assim…

Olinda

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Relatório OPSS 2011, gera polémica pelas piores razões

A Administração Regional de Saúde (ARS) e os responsáveis pelos hospitais do Norte acabam de contestar de forma veemente os números sobre tempos de espera para consultas e cirurgias divulgados pelo Observatório Português dos Sistemas de Saúde. link
Os dados estão “errados e constituem uma distorção grosseira da realidade”, defendeu, em conferência de imprensa, o presidente da ARS do Norte, Fernando Araújo, para quem a não tentativa de validação ou de contraditório pode traduzir até “incompetência ou má-fé”.

Já o Presidente do Hospital de São João (Porto) admitiu mesmo a hipótese de avançar com uma acção judicial contra o Observatório, depois de analisado o relatório. É que, ao contrário do que vinha noticiado na comunicação social - que aludia a tempos de espera média de 1030 dias por uma consulta de gastrenterologia no ano passado nesta unidade de saúde -, a mediana de espera (casos mais frequentes) é de 90 dias e nenhum doente aguarda mais de um ano por uma consulta nesta especialidade, garante a ARS.
Também no Hospital de Santo António, a demora média por uma cirurgia de urologia é de 2,2 meses, bem longe dos 1218 dias referidos. A disparidade com a realidade “é confrangedora”, sublinha Fernando Araújo, que lembra que, no relatório apresentado em Março deste ano pelo Ministério da Saúde, a região Norte era a que apresentava menores tempos de espera para cirurgia no país, logo a seguir ao Algarve. “A disponibilização destes dados [do Observatório], de forma parcial e distorcida, contribui para um ambiente injustificado de ansiedade para os cidadãos, desmotiva os profissionais e descredibiliza as instituições”, lamenta.
JP 16.11.11

O OPSS acaba de publicar o relatório da primavera 2011 e, de imediato, vê serem contestados os resultados de forma veemente. Face à disparidade dos números é caso para perguntar: quem fala verdade? Se há mentira nos dados, quem é responsável e com que intenção o fez? Ou será que dentro do MS há números para todos os gostos?
link
Vivemos um momento político crítico, com a nomeação de novo governo e novas clientelas sedentas de cargos políticos e de lugares na administração pública. Convinha pois que houvesse o máximo rigor nos números apresentados, caso contrário poder-se-á estar a dar pretexto para fazer rolar cabeças não merecedoras de decapitação.

Tavisto

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terça-feira, junho 14

É essencial proteger o modelo social

Com quatro anos pela frente”, diz António Costa que há tempo para reflectir com os partidos irmãos na UE.

O Governo socialista assinou - em nome do Estado português - o acordo com as instituições internacionais, FMI, BCE e a EU. Sente-se, porém, um certo constrangimento ou mesmo algum receio de que o PS se esconda atrás de uma espécie de recente invenção que é a "ausência de uma maioria social" para recusar estar ao lado - ou no mesmo barco - do futuro Governo para a concretização dessa tão pesada agenda.
Primeiro, ninguém pode ter dúvida alguma de que o PS honrará, na oposição, os compromissos que assumiu enquanto era Governo. Isso está fora de causa, tem de o fazer, deve fazê-lo. E nunca deixará de o fazer.

Sim, no Parlamento. E a rua?
O PS não tem uma actuação na Assembleia e outra fora.

Tem, sempre teve. Há uma ala esquerda, que quando não está presa a um pulso político forte anda por aí à solta.
Não me venha com fantasmas. O PS cumprirá os compromissos e será uma oposição responsável. Convém, porém, não confundir os compromissos internacionais de Portugal com o programa com que o PSD se apresentou às eleições. Há uma diferença muito importante. O PS resistiu, sempre, à entrada do FMI e aceitou-a porque tinha de ser, mas como uma forma de consolidar as finanças públicas - consideramos que é essencial para proteger o modelo social. O PSD, ao longo de meses, andou a pedir esta intervenção internacional porque ela é uma porta aberta, e um pretexto, para executar o programa liberal com que se apresentou. Mas esse não é o nosso programa. Portanto, uma coisa é cumprir as medidas que o Estado português acordou, outra coisa é executar e apoiar, as medidas...

Quem assina, apoia...
...posso terminar? Uma coisa é, aprovar e apoiar as medidas que estão acordadas pelo Estado português e outra coisa é aprovar e, apoiar as medidas propostas por um programa de um partido, para além do previsto no Acordo.

Conhece o programa do PSD?
O primeiro capítulo, a proposta da revisão Constitucional, foi o bilhete de identidade ideológico e só o tenho, aliás, elogiado pela clareza da sua posição. Em segundo lugar, o programa eleitoral que apresentou, também em consonância com o seu projecto de revisão Constitucional. Vamos lá ver o seguinte: a vida política é feita da escolha de alternativas. A maioria dos portugueses diz concordar com esta do PSD e do CDS. Muito bem. O Governo tem legitimidade para agir. Não tem é de pedir, a quem não concorda, para passar a estar de acordo. É que tem-se procurado criar a ilusão que o programa do PSD é igual ao memorando de entendimento. Não é, o próprio PSD o disse. Aliás, de uma forma bastante expressiva "o nosso programa é muito mais radical, nós iremos muito mais além do que aquilo que está no Memorando". O PS honrará, assim, o que está no memorando do entendimento, que é compromisso internacional do Estado português. Para além disso - ou seja, aquilo que é a visão radical que o PSD tem, a partir do seu programa - não haverá naturalmente o apoio do PS.

Está a dizer-me que um Governo do PS - caso tivesse sido eleito - interpretaria de modo, governamentalmente diferente, as exigências e o menu da ‘troika'?

Mas, com certeza! Obviamente que um Governo PS nunca executaria aquele programa da mesma forma que o PSD o irá fazer. Vamos lá ver o seguinte: quem ler o documento da troika - passível de interpretações diversas, como temos visto! - percebe que é passível de combinações diversas e de um conjunto de outras medidas políticas. Essa distinção existe. E a ideia de que, com o Memorando de Entendimento houve, digamos, como que uma eliminação da política, é tão ilusória como aqueles que viram, na queda da União Soviética, o fim da História. A História tem persistido em existir. E a diferença política vai continuar a persistir apesar do memorando de entendimento.

Em resumo?
Responsabilidade, sim; resolução do programa do PSD, não.

Insisto: de um lado o PS - assinante oficial do memorando da troika- agora invocando diferenças e especificidades políticas, do outro, o País a arder.
Mas, desculpe lá uma coisa, Maria João. O debate na campanha eleitoral foi bastante claro a propósito de um determinado tema. Foi o único, mas mal foi debatido logo se transformou num tema: a questão do equilíbrio entre a redução da Taxa Social Única e a sua compensação.

...com a qual José Sócrates, embora dissesse o contrário, já estava afinal comprometido!
... onde ficou claro que há duas leituras possíveis da execução dessa medida. E, se formos ver cada uma, provavelmente, teremos também interpretações diferentes. E sejamos de novo claros: para a generalidade das medidas, não é necessário o PS. Há uma maioria suficiente na Assembleia da República para garantir a sua execução. Onde é que é necessário e saudável que existam acordos de regime? Em tudo o que tem a ver com a reforma do Estado, da Administração, a reforma do Território, as medidas relativas à Justiça. Portanto, há "n" medidas, relativamente às quais é essencial uma concertação entre Governo e oposição...
...como a revisão Constitucional, por exemplo?
Não. Não há nenhuma revisão Constitucional pressuposta no memorando de entendimento.
DE 14.06.11

Para quem eventualmente tivesse dúvidas. Um grande líder na forja para daqui a quatro anos. António Costa a desenhar a estratégia do PS, partido de oposição, depois da saída de JS, numa grande entrevista a Maria João Avillez. Eu diria, nas barbas do inimigo (MJA, apesar do superior traquejo e intuição, prima por isenção tipo Marcelo).
Como é evidente o acordo político em redor da execução do memoradum da troika (verdadeiro desígnio nacional para os próximos tempos) não significa o fim da política em Portugal. Nem nenhuma "pausa na democracia" como propunha a recém condecorada MFL. Representa pelo contrário um período intervenção da oposição delicado que requer muito empenho e discernimento em defesa do que verdadeiramente interessa ao povo português.Como a protecção do modelo social.

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segunda-feira, junho 13

Uma tragédia nunca vem só!

cartoon nelson santos
Fernando Nobre estará em estudo para a Saúde: Passos Coelho pode convidar Fernando Nobre para o novo Ministério dos Assuntos Sociais como alternativa à presidência do Parlamento. link
DN 13.06.11

Acredito que o líder do PSD se debata com enorme dificuldade para arrumar Fernando Nobre depois do oportunismo do convite e da promessa feita ao senhor da AMI para presidir à AR. Agora Ministro da Saúde, francamente! Só pode ser brincadeira dos santos populares.
Dá para imaginar que Governo PSD, CDS-PP nos espera.

Nota: Política de Saúde Liberal Pacotilha - Referência musical deste post (rock português)link

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sábado, junho 11

A Grande Farra

foto flickr
No rescaldo da vitória eleitoral reagrupam-se e reorganizam-se os negócios privados que vivem à custa da saúde. Finalmente surgiu a luz ao fundo do túnel. Depois de ter amaciado a versão inicial do programa (mais inspirada e soprada pelos “empreendedores” do comércio da saúde) PSD manteve, ainda assim, essa ideia pioneira tão querida aos diferentes tipos de comerciantes que é o pacote universal (básico) de benefícios.
Está assim, finalmente, aberto o caminho para acabar o princípio da cobertura geral. A partir de agora os interesses privados definirão, ano após ano, por interpostos agentes políticos quais os cuidados que ficam na cobertura pública e quais os cuidados que terão de vir a ser cobertos por seguros privados.

Já se adivinham os slogans promotores: - Varizes prime; Protecção 24 h doença renal crónica; Osteocare; etc, etc… À mistura com “medicinas alternativas”, branqueamento dentário e checkup’s multigosto começaremos a ver a vitória do negocismo sobre a universalidade e a equidade. Assistiremos ao bombardeio da liberdade de escolha, da concorrência, dos co-pagamentos diferenciados pelo rendimento e do resto do papagueio que conhecemos agora renascido nos milhares de powerpoints que farão, de novo, florescer o negócio das consultoras.

Quanto aos protagonistas não faltarão soluções. Nos grupos parlamentares do PSD e do CDS proliferam consultores, administradores, gestores, funcionários e outro tipo de agentes umbilicalmente ligados ao negocismo do sector. Foi vê-los no Hotel Sana no passado dia 05 mostrando-se ostensivamente para marcar o território.
A nível de deputados basta analisar os percursos de muitos deles (nalguns casos estonteantes na passagem da esquerda radical defensora dos excluídos para a direita populista travestindo-se de caridosas almas que só pugnam pelo bem comum…).
Perdidos e sufocados no lodo do desaire comercial os comerciantes olham para esta coligação como a verdadeira tábua de salvação para as aventuras em que se foram metendo ao longo dos anos.

Vamos assistir à grande farra em áreas tão distintas como o medicamento (dci e unidose com verticalização total do negócio ligado às farmácias), manutenção da aldrabice que dá pelo nome de sub-sistemas e, sobretudo, muita convenção, concessão, contratualização, parceria e outras bóias para salvar a correr um sector privado que está moribundo.

Valha-nos que a saída de cena de Ana Jorge “liberta”o PS para uma oposição política forte, técnica e cientificamente sustentada.
A grande farra não será aquilo que os neo-liberais idealizaram. Daqui por uns meses conversamos…


Setubalense

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sexta-feira, junho 10

O próximo secretário da Saúde

Política de Saúde liberal pacotilha: Tudo se resumirá ao novo plano estratégico de financiamento do sistema.
Para o Ministério dos Assuntos Sociais e da Saúde (?) a recém eleita coligação deve escolher um profissional multifacetado. Uma daquelas personalidades ambíguas com muito traquejo de sector público e alguma experiência de privado (ou vive-versa, pouco importa pró caso). Habituada, como se diz, a andar lá e cá.

Segundo o programa do PSD, o plano estratégico de intervenção da Saúde assentará na actual estrutura do MS com as alterações estritamente necessárias de molde a "entrar" ao serviço da nova política de saúde liberal pacotilha.
link
Neste plano, está previsto a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) desempenhar um papel fulcral como entidade dinamizadora do novo sistema, repartindo verbas dos nossos impostos, como até aqui, mas agora, de forma harmoniosa (aqui está o avanço ideológico) entre hospitais públicos e privados, apostados em disputar em livre concorrência os contratos do ACSS.

Os hospitais dos ESS, Mellos e Teófilo Leite, vão, finalmente, ter acesso, em pé de igualdade, ao dinheirinho dos nossos impostos. A bem do "value for money in healthcare", versão nacional pacotilha. Abandonada, assim, a posição de parceiro complementar, o privado passará a partilhar a primeira linha do sistema. Transformação estrutural que o professor Martelo certamente defenderá, nas suas crónicas rascas, ver inscrita na Constituição da República.

Neste novo reino de sã e livre concorrência, superiormente regido pela ACSS, podemos antever o futuro risonho de muitos dos nossos queridos hospitais públicos. Espartilhados entre vários planos de emagrecimento, depois de um processo mais ou menos rápido de deterioração das condições de funcionamento, finalmente, a providencial decisão de encerramento piedoso. Mais digno nuns que noutros.

Nota: Política de Saúde Liberal Pacotilha - Referência musical deste post (rock português) : link

drfeelgood

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quinta-feira, junho 9

Palpites


- António Fernando Couto dos Santos
- João Lobo Antunes
- Teresa Margarida Figueiredo de Vasconcelos Caeiro
- Eduardo de Almeida Catroga
- António Rui de Lacerda Carrapatoso

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terça-feira, junho 7

Estado Liberal-Social




«Passos Coelho tem de construir um novo Estado Liberal-Social, um estado inteligente que se retira quando se torna um obstáculo (aos negócios, entenda-se) para se afirmar com força onde se revele uma presença essencial» (não sei se o autor estará a pensar na criação de novas oportunidades de negócio ou nas cargas de polícia a lançar sobre a populaça indignada).link
Carlos Marques Almeida, DE 08.06.11

Não vão faltar panegíricos destes nos próximos tempos. É a nova corte liberal pacotilha a institucionalizar-se. Surrealizemos, pois. Com tempo a gente habitua-se.

drfeelgood

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segunda-feira, junho 6

06 de Junho 2011


«Não há estado de graça. Só estado de luta. Esta manhã, a Amadora acordou assim.»
bruno carvalho, Cinco dias

«Saúde - as metas assinadas com a "troika" limitam o Orçamento para 2013 para 61,5% do de 2010! Em 2011 o corte foi de 1256 milhões (12,8%), a que se somaram 1600 milhões de dívida transitada de 2010. Para 2012, novo corte de 550 milhões e, para 2013, mais 375 milhões. ­Acumulado 2011-2013 = 3 780 milhões de euros.
É disto que alguns não falaram na campanha eleitoral.
Porque será?»
joão rodrigues, facebook

«Quem diz a verdade, acaba no caminho do exílio.»
José pacheco Pereira, povérbio turco, Abrupto,

«Este Governo fez coisas incríveis pelo desporto (de alta competição).
Nelson Évora, 07.06.11

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