terça-feira, dezembro 2

Passos & Macedo


Passos Coelho: «O atual Governo salvou o Serviço Nacional de Saúde» link

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domingo, setembro 21

Passos Coelho, o SNS e a retórica eleitoralista….

Nas comemorações dos 35 anos do SNS, Pedro Passos Coelho, lá conseguiu com o seu staff eleitoral arranjar espaço para ‘botar faladura’. Vestiu roupagem de ‘estadista’ e tratou de debitar a narrativa ‘conveniente’ sobre uma realização comum dos portugueses. Narrativa assente em pressuposto errado. link
Quando afirmou que “recebeu a responsabilidade de salvar o SNS e de o transmitir mais forte, mais eficiente e mais transparente” link recorreu, como é hábito, à distorção dos factos.
A missão que este Governo tinha acometido como ‘sua’ perante os representantes dos portugueses (Assembleia da República) era substancialmente outra. No programa do Governo, pág. 78, (podemos deixar para trás o programa eleitoral) o grande objectivo estratégico aí definido é:
“Continuar a melhorar a qualidade e o acesso efectivo dos cidadãos aos cuidados de saúde, quer ao nível da organização, quer ao nível da prestação:
- Pela garantia do acesso universal e equitativo, tendencialmente gratuito, aos cuidados e serviços de saúde incluídos no plano de prestações garantidas;
- Pela obtenção de resultados convergentes com os melhores da Europa link”…
Nada disto apontava para a ‘missão salvífica’ que agora pretende acrescentar como objectivo ou enxertar nas práticas governamentais.
Aliás, a ideia que Passos Coelho quis transmitir sobre um SNS mais forte que seria deixado aos vindouros é muito peculiar e curiosa. Em primeiro lugar, encerra o sentimento de ‘fim de festa’ em que o actual ‘festeiro’ entrega os paramentos e os folclóricos enfeites aos próximos (outros?) ‘mordomos’. Depois, surge da vulgaridade sistemática e perversa deste Governo que consegue, sempre, ver (anunciar) fortalecimentos na debilitação acelerada dos sistemas públicos que recebeu, quando a sua divisa ideológica foi ‘Menos Estado, Melhor Estado’.
Este Governo para justificar cortes orçamentais sucessivos e na despesa a cavalo uns dos outros (entre 2011 e 2014 a despesa pública com a saúde, em termos nominais, diminuiu mais de 676 M€  link) enveredou por derivas semânticas saloias e quando o intuito era efectivamente debilitar vem anunciar que ‘racionalizou’, ‘ajustou’ e até ‘alimentou´’ uma nova concepção mitológica sobre o acto de racionar.
O primeiro-ministro não teve pejo em tentar ‘colonizar’ medidas que já vêm de longe como a política do medicamento, a prescrição por DCI, etc. Dá a sensação de que o SNS não tem 35 anos e, na visão de Passos Coelho, tudo (pelo menos a missão redentora) teria começado em Junho de 2011.
Contudo, passou ao lado do inexplicável adiamento da reforma hospitalar link embora tivesse anunciado a abertura de alguns novos hospitais link, a encaixar em que rede?
Há, por outro lado, um dado que motivou mais uma promessa. A de querer “continuar a trabalhar para que todos os portugueses tenham um médico de família”.
Basta olhar para o número de portugueses e portuguesas sem médico de família, isto é, um indicador numérico simples e directo, para termos noções reais e objectivas sobre o fortalecimento dos serviços e acessibilidade dos utentes. O número revelado por uma auditoria do Tribunal de Contas referente aos anos de 2009 a 2012, publicada em 2014, (pág. 27) link é de 1.657.526 (muito próximo dos 20% da população actualmente residente). Sem meter nestas contas o expurgo dos ‘utentes pouco assíduos’ e a extensão das listas de inscritos por médico, subsidiária das alterações do horário semanal de trabalho (de 35 para 40 horas).
Dizer que o SNS está mais forte e mais eficiente quando os cuidados primários estão neste estado e apresentam este défice (existem défices para além dos orçamentais) não passa de diletantismo político para consumo pré-eleitoral.
O primeiro-ministro voltou à charada do ‘colapso financeiro nacional’ (há aqui uma derivante acerca da ‘bancarrota’) para justificar as medidas que tentam adulterar a nossa memória colectiva.
Veio anunciar que salvou o SNS. Nunca o ouviremos dizer a verdade. Isto é, nunca dirá que, de facto, a sua principal preocupação foi salvar o sistema bancário de uma crise endógena gerada pela especulação financeira (bolsista e imobiliária) à custa dos contribuintes, mais particularmente, dos funcionários públicos, aposentados e pensionistas.
O discurso que pronunciou a 15 de Setembro coloca uma inquietante dúvida aos portugueses: Falou nessa cerimónia na qualidade de primeiro-ministro da República ou de presidente do PSD, concorrente as eleições de 2015?

E-Pá!

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sábado, fevereiro 15

Ranking dos Hospitais


Interpretações do ranking dos hospitais e quimeras (institucionais, políticas & eleitorais) …
Foi divulgado o ranking dos hospitais públicos referente a 2012 link ;
O escalonamento do desempenho mostra que o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra ocupa o primeiro lugar. Independentemente dos critérios observados para a ‘construção’ deste ranking – cujas dificuldades o próprio coordenador ressalva link - nomeadamente, dificuldades na colheita de informação, temos de reconhecer que o grande impacto deste trabalho foi tornar-se objecto de um inacreditável aproveitamento político.
Indicadores importantes como a mortalidade, complicações, readmissões, custos médios, demora média, etc., escondem por vezes distorções na acessibilidade que ainda permitem espaço a alguns hospitais para selectivamente ‘escolher utentes’ (uns ficam com a ‘carne limpa’ e outros com o sobrenadante incluindo a ‘ossatura’), circunstância que perverte, decisivamente, os resultados. O ‘movimento oculto de transferências’, dentro da rede de referenciação hospitalar, está montado para esconder ou disfarçar muitas carências (de recursos humanos, técnicas, assistenciais e de resultados) já que distorce e influencia a procura. A acessibilidade (passiva) é hoje confrontada com muitos sobressaltos, um dos quais muito visível - o temporal - consubstanciado numa ‘espera’ alongada passível de ter graves efeitos deletérios e outro mais sub-reptício - o geográfico - que se traduz na real possibilidade de o utente ‘só parar’ num Hospital Central. Trata-se, de facto, de uns (entre outros) ‘ajustamentos de risco’, não despiciendo. Para ilustrar esta realidade temos dois casos recentes (o da senhora da colonoscopia e o jovem de Chaves) que, pondo de lado ilusões e malabarismos, encerram uma elevada probabilidade de ser a ponta do iceberg estando, por isso, para além de situações esporádicas e acidentais.
Mas, voltemos ao ranking do desempenho dos hospitais públicos em 2012 link.
‘Politicamente correcto’ o presidente do CA do CHUC endereçou o ‘prémio’ aos profissionais que aí trabalham. Revelou ter apreendido alguma coisa com sua passagem pelo XII Governo Constitucional, presidido por Cavaco Silva, como secretário de Estado da Saúde. Sabe, como todos nós, que a desmotivação grassa por todos os sectores profissionais que trabalham na saúde. Logo, tentou embrulhar o dito ‘prémio’ num floreado.
Porém, não resistiu à tentação de endossar (alienar) os resultados afirmando que eles se deviam “à reforma hospitalar em Coimbra, a maior e a mais complexa em Portugal, foi feita com tranquilidade e resultou num conjunto de oportunidades que temos sabido aproveitar em prol dos nossos doentes e do Serviço Nacional de Saúde, como estes resultados demonstram” link.
Esta visão onírica e deslocada no tempo terá influenciado o primeiro-ministro que com a sua proverbial desfaçatez e leviandade, a que já nos habituou, ‘colou’ os resultados a uma putativa reforma (deste Governo?) em curso na área hospitalar. Lançando-se sobre este putativo (esta expressão é do governante) precipício não teve qualquer rebuço em começar por atacar os ‘pais do SNS’ catalogando-os como ‘profetas da desgraça’.
Mas o ‘estrondo’ da irresponsabilidade revela-se quando transforma a ‘anexação’ do Hospital dos Covões pelos HUC (dando origem aos CHUC), operação também designada por ‘fusão’. As empresas (e esse será o entendimento do primeiro-ministro sobre os Hospitais, na maioria EPE) não se fundem, ‘canibalizam-se’ num ritual onde sistematicamente a mais forte engole a mais débil. Trata-se de um processo sinuoso e doloroso cujo denominador comum são as dramáticas ‘restruturações’, leia-se, ‘cortes & despedimentos’.
Passos Coelho vive inebriado com ‘resultados’ que lhe parecem florescer, neste inverno húmido e chuvoso (que toca também a democracia). Os resultados assemelham-se aos cogumelos que irrompem sazonalmente entre detritos orgânicos e, como sabemos, possuem propriedades alucinogénias. É neste quadro alucinatório, com cheiro a bolor, que o primeiro-ministro aparece a anunciar aos portugueses uma fantástica ‘colheita de resultados’ auspicioso fruto das suas ‘reformas’. Disse descaradamente que ‘que o recente ranking de hospitais mostra que há melhores unidades de saúde devido às reformas do Governo’ link
Bem, o CHUC (bem como outras centros fusões que originaram centros hospitalares) foi criado pelo decreto-lei 30/2011, de 2 Março (i. e., na ‘agonia’ do Governo de José Sócrates sendo ministra da Saúde Ana Jorge) link.
Um decreto-lei que surge num ambiente político já dominado pela ‘saga dos PEC’ (visando um apressado controlo de custos orçamentais ditado pela crise) e que per si não encerra intrínsecas ou incontestadas virtudes no desempenho, produção e na qualidade link. Aliás, a demonstração desta realidade está nos ‘tropeções’ que se verificaram entre 2011 e 2012 em alguns centros hospitalares a começar pelo de S. João no Porto e se alongaram aos de Tondela-Viseu e Leiria-Pombal.
Logo, a apropriação pelo primeiro-ministro do resultado do CHUC é um intolerável abuso de confiança e o lugar que pretende ocupar no pódio político (à volta deste momento de avaliação) ‘adesiva-se’ como (mais) um ‘equívoco do marketing político’ e uma manifesta atitude demagógica .
Na realidade, o actual conselho de Administração do actual CHUC tomou posse em Dezembro de 2011 (nomeado pelo actual ministro Paulo Macedo). A ‘integração’ dos referidos Hospitais foi um processo lento e não isento de percalços (notória contestação das populações e das autarquias link;link; link; link; …) e, durante o ano de 2012, permaneceu num estado ‘larvar’, sendo um exemplo marcante desta dolência e precariedade o facto de as chefias intermédias (Direcções de Serviço) terem assumido o estatuto de provisórias e transitórias. Uma outra marca do arranque do processo foram as dificuldades de elaborar (e aprovar) um regulamento interno (suporte básico mínimo para garantir a funcionalidade do alargado centro hospitalar).
Aliás, é a própria administração deste hospital que anuncia e reconhece o fim da ‘fusão’ para o final de 2013  link (ano posterior à analise do estudo da ENSP).
Quem já alguma vez foi ‘apanhado’ por processos de mutação integradora deste tipo conhece bem as dificuldades e as indefinições. E o tempo que leva a integrar culturas organizativas e funcionais díspares. O ano de 2012 foi, como não podia deixar de ser, um período de adaptação a uma imberbe e intempestiva medida legislativa (não existiu discussão prévia nem avaliação de impactos), que não revelou outras particularidades para além do ‘arrumar da casa’, não lhe podendo ser imputadas particulares virtudes. Pelo que o lugar conquistado pelo CHUC no ranking (referente a 2012) nunca poderá ser – pelo menos em 2012 – imputado à fusão.
Todavia, o primeiro-ministro apressou-se a tomar este comboio. Tudo o que possa cheirar a ‘bons resultados’, mesmo que ténues e efémeros, é para ‘colonizar’ como uma grande vitória e para garantir que os portugueses estão a usufruir de resultados, supomos que decorrentes dos sacrifícios (que prometerão ‘oportunamente’ aligeirar).
Na verdade, estamos perante uma avaliação de desempenho dos Hospitais que, sendo um instrumento de trabalho, se transformou numa quimera política, em nada estimulante para os profissionais da Saúde e muito dificilmente iludirá os utentes do SNS.
E como sabemos a quimera é uma figura mitológica que se caracterizava por espalhar, pelas cidades e pelos campos, o fogo e a morte…
Será o que nos espera se embarcarmos nas ‘fábulas reformistas’ do primeiro-ministro.
E-Pá!

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sábado, outubro 12

Verdadeiro ou falso?

O Negócios confronta declarações de Passos Coelho com factos
1.Temos conseguido um nível de atendimento superior ao de antes. Seja na área hospitalar, seja no ambulatório. Nós em 2012, e segundo os dados que tenho de 2013, conseguimos fazer mais consultas, mais exames, atender mais pessoas e prestar mais serviços apesar das condições financeiras.
Se é verdade que na área hospitalar se registaram mais consultas e cirurgias, quer em 2012, quer nos primeiros oito meses deste ano face ao período homólogo do ano passado, o mesmo não se pode dizer em relação aos cuidados de saúde primários. E a quebra assistencial nos centros de saúde, tanto em termos de consultas programadas como urgências, fez com que no geral tenha havido em 2012 menos 1,3 milhões de consultas e nos primeiros oito meses deste ano menos 150 mil consultas.
 O número de utilizadores dos centros de saúde também diminuiu. Já nas urgências a quebra foi de 1,3 milhões no total do ano de 2012 e de 60 mil até Agosto deste ano. Este ano ainda não se sabe, mas no ano passado os hospitais realizaram ainda menos 70 mil sessões no hospital de dia.
 O ministro da Saúde, Paulo Macedo, tem-se recusado a aceitar a associação da quebra das idas às urgências no ano passado e este ano, bem como a consultas, com a “transferência” de doentes para o sector privado da saúde.
 No que diz respeito aos exames, a que Passos Coelho também faz referência, não existem dados disponíveis para avaliar a declaração de Passos.
2.O sistema estava extremamente endividado. Nestes dois anos estivemos a sanear o mais possível a situação financeira. No ano passado pagámos 1.500 quase 1.600 milhões de euros, de dívida antiga, a sua maioria nos hospitais. Procurámos tomar medidas para não acumular dívidas em atraso.
É verdade, este pagamento foi feito. Ainda assim, teve um custo elevado. Em 2012, o Ministério da Saúde recebeu 1.500 milhões de euros, da transferência dos fundos de pensões da banca, para pagar dívidas em atraso dos hospitais-empresa (dívidas que ultrapassaram em mais de 90 dias o prazo acordado com o fornecedor). No entanto, esta transferência trouxe responsabilidades além das receitas. Em causa, está o pagamento anual das pensões dos bancários, agora a cargo do Estado.
 Apesar da regularização daquelas dívidas, o sector da saúde continua a acumular dívida. A prova é que mesmo com esta liquidação de 1.500 milhões de euros, o bolo da dívida vencida – que inclui dívida acima e abaixo dos 90 dias para lá do prazo de pagamento acordado -, segundo o Ministério de Paulo Macedo, baixou 1.200 milhões de euros, para os 1.338 milhões de euros.
 Este ano serão utilizados mais 432 milhões de euros do orçamento rectificativo para pagar dívidas e o Governo vai proceder ao reforço do capital dos hospitais EPE, no valor de 400 milhões, o que significará um “perdão” de dívida de alguns hospitais.
 A acumulação de dívida a fornecedores tem sido um dos principais problemas dos hospitais públicos. Perante a troika, o Governo português comprometeu-se a estancar a acumulação de dívida em atraso há mais de 90 dias.

 JN 10.10.13

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domingo, julho 7

Estamos todos de parabéns

"O problema que se põe é se é adequado que o Presidente da República aceite ministros troca-tintas, que não têm palavra, que têm pouca vergonha na cara" link 
«Para manter o Governo de coligação, Passos Coelho foi obrigado a partilhar poder com o novo vice-primeiro-ministro. Mas ao atribuir-lhe tão decisivas responsabilidades numa coligação que esteve por várias vezes em risco de ruptura por incompatibilidades políticas e pessoais, a situação é, no mínimo, arriscada. Há 30 anos que Portugal não tem experiência de um governo com um vice-primeiro-ministro, pelo que não é fácil tirar lições do passado.» link 
«É claro que se depender de quem comanda, a partir de fora e de dentro, mas sobretudo com a força de fora, a economia política nacional, este governo dura para lá de tudo o que seria previsível, para lá de toda a surpresa. Portas já levou uma lição sobre a autonomia relativa do político: os interesses capitalistas dominantes, a sua base, para os quais a incerteza política é insuportável neste contexto, obrigam-no a recuar, “a ser humilde”, como o aconselhou ainda ontem o seu próspero camarada Nobre Guedes. O efeito paradoxal destes poderes, que aspiram a não ter contra-poderes, é o de prolongar a morbidez por tempo indeterminado, provavelmente até o segundo resgate, com esse ou com outro nome, que será a continuação da mesma lógica, estar definido, até Seguro se ter comprometido com um documento, chame-se-lhe memorando ou não, que o torne apto a “governar”.» link 
«A continuidade deste governo, depois da carta ‘irrevogável' de Portas, precisava de um novo líder no CDS. A recauchutagem de ontem é como certos pneus remendados: o carro ainda pode circular. Mas suspeito que não vai longe.» link 
«Havia uma linha vermelha. Paulo Portas foi muito além dessa linha e, no fim de contas, ganhou tudo o que pretendia ganhar. O Governo evolui de PSD/CDS para CDS/PSD. Maria Luís Alburqueque será uma figura menor ao lado de Portas. Pires de Lima é promovido da Super Bock para o Governo. Pedro Passos Coelho, o triste traste, cede porque sabe que se as eleições fossem daqui a dois meses o PSD cairia para níveis inferiores ao PSD de Santana Lopes e a seguir nem conseguiria arranjar emprego nas empresas do antigo padrinho Ângelo Correia. O país, esse, vai continuar a sofrer com o pior conjunto de crápulas da história da democracia. Estamos todos de parabéns.»   link 
«Eu não tenho medo e (acho que) quero um segundo resgate, com outro nome e sem troika. Como conseguir isso? Com eleições. Vamos por partes. Manuela Ferreira Leite levantou a lebre que mostra a saída de Gaspar associada à necessidade de um segundo resgate. Segundo ela, Gaspar pode ter saído para não ser tido como responsável pelo novo resgate, causando ainda a dúvida de que este seria consequência da sua saída. E Portas seguiu-o rapidamente, pelas mesmas razões, disse também. Faz sentido, essa coisa do segundo resgate: a economia e as finanças estão piores do que há dois anos, quando veio o primeiro que, recordemos, foi menor do que o necessário. E as eleições? As eleições são para mostrar que há força política para negociar, aproveitando a onda anti-troika nas instâncias europeias. Fácil? Claro que não. Nada é fácil. Mas é possível. O pior de tudo é ter medo e ceder às pressões do medo.»  link

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quarta-feira, dezembro 26

Mensagem de Natal

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, ao proferir a sua mensagem de Natal, ontem à noite, garantiu que "a esmagadora maioria das medidas que faziam parte" do programa de reformas da sociedade portuguesa, incluído no Memorando de Entendimento assinado com a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional, "está já concluída ou em fase de conclusão". link
"Transformámos alguns aspectos da nossa economia que sempre tinham sido obstáculos ao investimento e à criação de riqueza e que em muitos casos se mantinha fechada à participação de todos", sublinhou o primeiro-ministro, acrescentando: "Iniciámos um processo de reforma das estruturas e funções do Estado, um processo tantas vezes adiado, aqui como noutros países, mas que é agora inadiável, para nós como para os nossos parceiros europeus."
A ideia de iminência de superação da crise que caracteriza a mensagem de Passos Coelho foi já por si reafirmada a semana passada, no debate quinzenal na Assembleia da República. Então, frisou mesmo que 2012 foi o pior ano desde 1974, mas que foi também "um ano de reformas como o país nunca tinha assistido". E logo nesse debate afirmou que 2013 será "um ano de estabilização e um ano de viragem" que preparará "o regresso ao crescimento em 2014".
E justificou a decisão de tratar todos por igual, afirmando: "Julgo que foi um imperativo de justiça que aqueles que vivem com mais recursos económicos tenham sido chamados a dar um contributo maior para que - por exemplo - nove em cada dez reformados não tenham sido atingidos por cortes ou reduções nas suas pensões."
Salientando a tentativa de não penalizar ao nível dos cortes da Segurança Social quem menos tem, o primeiro-ministro lembrou que o Governo conseguiu "mesmo actualizar as pensões mínimas acima da inflação".
Passos Coelho comprometeu-se também com a garantia de que "ninguém sairá desta crise sem a capacidade plena de aproveitar essas oportunidades". E insistiu na promessa: "Ninguém que esteve presente nos piores momentos da crise, com a sua coragem e o seu esforço, será deixado para trás nos anos de oportunidade que temos pela frente."
JP 26.12.12

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quarta-feira, dezembro 12

A culpa é do La Féria …


Segundo Passos Coelho, os cidadãos de maiores rendimentos são os que usufruem mais do nosso SNS (também pagam mais impostos). Logo devem pagar mais (co-pagamento). 
Quando isto acontecer, os cidadãos de maiores rendimentos vão querer sair do sistema. E adquirir seguros privados de saúde. Passos Coelho, achará, então, que será mais justo premiá-los com isenção fiscal. Um humilde contributo para uma sociedade menos solidária mas com mais caridadezinha (como a senhora jonet tanto gosta).link
E, disse mais, o senhor primeiro ministro, na sua voz de barítono. Os profissionais de saúde têm obrigação de ser mais eficientes. Ou seja, trabalhar mais por menos dinheiro.link 
Quando oiço este poço de inteligência,  conhecimento e cultura, apetece-me mandá-lo pró c...fuck you, senhor primeiro. 

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segunda-feira, dezembro 10

Defender a Escola Pública


O primeiro-ministro já disse que havia diferença entre a saúde e a educação, mas é justamente o contrário. Porque na saúde o artigo 64 diz que o Sistema Nacional de Saúde é tendencialmente gratuito tendo em conta as condições sociais e económicas dos cidadãos, por isso admite um pagamento expressamente.
Jorge Miranda,  RR 29.11.12

Este primeiro não acerta uma !

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segunda-feira, setembro 10

Direito à indignação, direito à revolta

Medidas anunciadas por Passos Coelho para 2013 agravam ainda mais as desigualdades e a recessão económica em Portugal: Trabalhadores e pensionistas sofrem um corte de 5.540 milhões euros nos seus rendimentos, patrões recebem um bónus de 2.200 milhões € link 
Passos Coelho no discurso que fez perante a TV, em 7.9.2013, sobre as novas medidas de austeridade para 2013 afirmou o seguinte: “O que propomos é um contributo equitativo, um esforço de todos para o objetivo comum, como exige o Tribunal Constitucional … Foi com este propósito que o governo decidiu aumentar a contribuição (dos trabalhadores) para a Segurança Social (de 11%) para 18%, o que nos permitirá, em contrapartida descer a contribuição exigida às empresas (ou seja, aos patrões) também (de 23,75%) para 18%” Isto significa que os trabalhadores do setor privado terão de contribuir para a Segurança Social com mais 2.700 milhões € (+63,6%), e os patrões de contribuir com menos 2.200 milhões € (-24,2%). E é precisamente a isto que Passos Coelho chama descaradamente “um contributo equitativo, um esforço de todos para o objetivo comum”. 
Eugénio Rosa

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quarta-feira, agosto 15

Eleições no horizonte

Passos anuncia fim da recessão em 2013

As eleições legislativas só serão daqui a três anos, mas Passos já pensa na reeleição. link
Mais do que isso, com as autárquicas já no próximo ano, o discurso do líder do PSD mostra agora que o o pior da troika já está a passar e que o governo ainda tem mais tempo: "Se estamos a metade da troika, só estamos um quarto do nosso mandato. O programa que defendemos é de quatro anos que temos ambição de vir a renovar." link
Ontem, como hoje, a táctica dos derrotados é sempre a mesma: a fuga para a frente.
Cipriano Justo, facebook

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sábado, dezembro 17

Já ninguém acredita

...«Passos chegou ao poder e disse tudo o que estava mal. Não referiu uma única coisa que estivesse bem. Aliás, Passos carrega sempre nas tintas. Se pensamos que 2012 vai ser um ano péssimo, ele acrescenta que será dramático. Se consideramos que as coisas estão más, ele acrescenta que vão ficar piores. Passos não motiva os cidadãos nem aumenta a sua confiança. Pelo contrário, acrescenta desalento ao desalento, desânimo ao desânimo, fraqueza à fraqueza e instila em todos nós um sentimento de culpabilidade pelo que nos está a acontecer.

Passos está obcecado - e muito bem - pelo cumprimento do acordo com a troika. Mas não faz a gestão emocional da crise, nem nenhum esforço para manter as tropas moralizadas. Passos dá sempre a impressão de estar mais do lado dos credores do que do nosso. Não se preocupa minimamente em transmitir otimismo e esperança, nem em mostrar a luz ao fundo do túnel.
Desde que chegou ao Governo, fez várias promessas importantes que desdisse. E numa situação destas isso é um erro dramático. Quando agora afirma que não haverá novo aumento de impostos em 2012, já ninguém acredita. E é por isso que Passos corre dois enormes riscos. O primeiro é levar-nos a todos para um lugar de miséria e desesperança. O segundo é descobrir que está sozinho quando necessitar de tropas para a batalha.

NS, expresso 17.12.11 link

Assim, não vamos lá!
O que mais me impressiona é a insuportável leveza intelectual, combinada com arrogância saloia, deste lider pacotilha que na adolescência não curtia rockandroll (verdadeiro stright) nem arriscava, ao menos, uma travadela à Clinton.

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domingo, novembro 20

PPC, 1.º ajuste de contas com o SNS

«O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, anunciou em Vila Real, neste sábado, que o Governo vai devolver às misericórdias os hospitais públicos que foram nacionalizados depois do 25 de Abril de 1974.» link
Encantada, a «União das Misericórdias, aplaude a decisão do Governo
link

Comentários:
a) Paulo Macedo e Mendes Ribeiro, naturalmente na jogada, terão dado a PPC o privilégio de antecipar esta jogada política, antes de conhecidas do grande público as conclusões do relatório da reforma da rede hospitalar pública;

b) O Estado vai continuar a financiar estes hospitais, muitos sem condições, apostado na Santa ineficiência das Misericórdias?

c) No que respeita às dívidas da Saúde, enquanto a “seca” prossegue para ver se o SNS definha à míngua, o Governo decide abrir os cordões à bolsa para pagar às Misericórdias. Discriminação positiva do OE/2012, justifica o primeiro ministro, para estas instituições santas porque elas «desenvolvem uma actividade especial».

d) Trata-se, segundo PPC, da «correcção da nossa história mais recente e concluir esse trabalho importante que é de devolver à sua origem esses hospitais que têm prestado um serviço importante às comunidades». Conhecíamos o africanista de segunda, PPC, neste rasgo histórico, a evidenciar dotes de português de terceira.

e) Depois deste primeiro anúncio, concluído o relatório do Mendes, vamos conhecer os hospitais do SNS que vão ser entregues aos operadores privados.

f) Se a reforma é para continuar desta forma para que serve o Ministro da Saúde? Eu pedia a demissão já, antes que seja tarde!

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sábado, outubro 15

Mentiroso

«Fomos até onde podíamos ir»
Vida difícil para o País, vida difícil para o sector da Saúde. Era um cenário esperado, mas os anúncios feitos por Pedro Passos Coelho vão ainda mais além dos sacrifícios esperados, sobretudo para quem trabalha na máquina do Estado, como médicos e enfermeiros.
«No Orçamento para 2012 haverá cortes muito substanciais nos sectores da Saúde e da Educação. Neste aspecto, fomos até onde podíamos ir — no combate ao desperdício, nos ganhos de eficiência.» As palavras de Pedro Passos Coelho na declaração ao País, no passado dia 13, consolidavam aquilo que há muito se esperava: o cenário era negro nas contas nacionais e a Saúde não escaparia aos cortes programados para equilibrar a balança orçamental. Contudo, o primeiro-ministro também garantiu: «Não podemos ir mais longe nestes cortes sem pôr em causa a qualidade dos serviços públicos» e «sem pôr em causa o acesso dos cidadãos a estes serviços. E isso não faremos.» TM 17.10.11
...
Em 2012, o SNS sofrerá cortes de mais de 800 milhões. Objectivo que excede largamente o limite do razoável, comprometendo seriamente o acesso e a qualidade deste serviço público.
«Não podemos ir mais longe nestes cortes sem pôr em causa a qualidade dos serviços públicos» e «sem pôr em causa o acesso dos cidadãos a estes serviços. E isso não faremos.»
Passos Coelho mente mais uma vez. Depois de ter mentido durante toda a campanha descaradamente. Passos Coelho, primeiro ministro, continua a mentir tentando esconder dos portugueses o seu verdadeiro programa de reforma ulra-liberal que arruinará o SNS e arrastará Portugal para o abismo.

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quinta-feira, outubro 13

Palhaço

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terça-feira, agosto 9

A emenda necessária…

A “ida” de Passos Coelho para a residência de férias de Mira Amaral, ao que parece, foi uma tentativa de exercício de humor do site “Não Lembra ao Diabo” link prontamente reproduzida por alguns blogs, p. exº: link.
Trata-se, como uma leitura atenta e crítica do texto revela, de uma “charge” que, pelo melindre que encerra, nem chega a ser satírica e revela um tipo de humor duvidoso…

Na verdade, o governo que temos é tão fértil em situações de conflitos de interesses (nomeações para o Governo, CGD, etc.) que não precisa de condimentos rocambolescos…

Manda a decência (não é preciso invocar questões deontológicas ou éticas) que o caso BPN – uma página negra da nossa história financeira recente e que continuará a penalizar os portugueses – seja tratado com algum rigor (embora passível de ser glosado como rábula
link , já que se trata de um negócio (muito) pouco transparente em todos os seus contornos, e seja reposta (sobre as férias, entenda-se) a verdade.
De facto, o PM está (esteve?) de férias no Algarve, na Manta Rota …
link
E-Pá

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sábado, abril 30

PPC, tem tudo a ver

Passos diz que “o Estado não tem que ser o único prestador de serviços de saúde”. 29.04.2011, Lusa

O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, afirmou hoje que o “melhor seguro de saúde é o público” mas que o “Estado não tem que ser o único prestador de serviços de saúde” e que é intenção do PSD garantir o seguro de saúde “iminentemente público”. De visita ao Hospital Narciso Ferreira, em Riba de Ave, o líder do PSD elogiou o papel das misericórdias no panorama de prestação de cuidados de saúde em Portugal.

“Não ignorámos o papel notável das misericórdias no apoio aos mais desfavorecidos que o Estado não conseguiria fazer sozinho”, afirmou. Passo Coelho reconheceu que “o melhor seguro de saúde é o público” e que os “riscos” que este seguro cobre “são melhor suportados pela colectividade”. Mas, afirmou, “isto não significa que não existam vários prestadores de serviços privados, nem que o Estado tem que ser o único prestador de serviços de saúde”. Segundo o líder social-democrata, “as pessoas devem poder escolher”.

“Pretendemos que as pessoas possam ter seguro iminentemente público mas que possam escolher”, adiantou. Para Pedro Passos Coelho “ganhamos todos em qualificar os privados”. O Hospital Narciso Ferreira está sob a alçada da Misericórdia e existe desde a década de 40 do século XX. Actualmente emprega mais de 270 pessoas e serve cerca de 120 mil utentes de cinco concelhos.
Depois da visita ao Hospital em Riba de Ave, Passos Coelho visitou ainda a fábrica de pneus Continental, em Lousado, Vila Nova de Famalicão.

Em matéria de saúde PPC, de certa forma, já nos tinha sossegado com aquela que ficou conhecida como a Declaração de Massamá no fim-de-semana da Páscoa quando referiu que os portugueses poderiam ficar descansados em matéria de cuidados de saúde porque, ele próprio, tinha filhos e sabia bem o transtorno que causavam os problemas de saúde.

Poder-se-á mesmo dizer que a Declaração de Massamá estará para PPC e para o PSD, em matéria de sistema de saúde como estiveram as Declarações de Otawa, Alma-Ata e Tallin para a saúde mundial.

Quanto às declarações de hoje estamos perante mais um exercício de profundidade intelectual e de pensamento estratégico “low-cost” ou seja, curtinho, ligeirinho e mal amanhado.
Fez bem PPC depois de ter ido à Misericórdia de Riba de Ave ter passado pelos pneus da Continental. Tem tudo a ver…



Setubalense

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terça-feira, abril 12

Dominó

«Questionado sobre o que pretende fazer à Caixa Geral de Depósitos (CGD), Pedro Passos Coelho respondeu que a CGD "deve poder alienar uma parte dos seguros, deve poder alienar aquilo que são os hospitais privados e outras áreas de negócio", concentrando-se na "intervenção financeira".» link
Poderá ser o reinício do velho projecto de Luís Filipe Pereira de privatizar a gestão dos hospitais da rede pública. Ficando o Estado apenas responsável pelo financiamento e fiscalização dos hospitais públicos.

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Franganote

Nesta segunda feira, marcada pela entrada da equipa de técnicos do FMI e da União Europeia no nosso país, duas pequenas notas.
A primeira, inevitável, em relação a Fernando Nobre. Como refere VM: Que falta de nobreza!
A segunda sobre a entrevista de Pedro Paços Coelho à TVI. A demonstração cabal da fragilidade do candidato do PSD. Judite de Sousa esfrangalhou positivamente o candidato laranja a primeiro ministro de Portugal, governado pelo FMI.

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sábado, abril 2

E não queria mais nada!?

A declaração do PSD de que apoiará um eventual pedido de ajuda externa se o Goveno decidir fazê-lo ultrapassa as marcas da decência política. O que o PSD não diz é se apoia as medidas de austeridade que a ajuda externa necessarimente implicará, seguramente mais severas do que as que constavam do PEC que o PSD rejeitou, desencadeando com isso a crise política e o ataque das agências de rationg e dos mercados da dívida pública. O que o PSD queria era que fosse o PS a assumir mais esse ónus, sem se comprometer mais uma vez com o seu conteúdo, para depois, se ganhar as eleições, poder desculpar-se com as imposições do FMI assumidas pelo PS... É caso para perguntar: "e não queria mais nada?"
vital moreira, causa nossa

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sábado, fevereiro 19

Save us


















Boas notícias: «O défice fixou-se em €281,8 milhões em Janeiro, uma redução de 58,6% face ao mesmo mês de 2010». link
Começo a gostar de novo do Sócrates. Bastar-lhe-ia lutar contra agiotas encartados. Mas para expiação dos seus pecados tem de gramar, ainda por cima, o PPC pacotilha (o rancoroso já faz parte da rotina).
link Que, se saiba, nunca governou coisa alguma. Nem mesmo a mais humilde colectividade do bairro de Massamá.
Clara Gomes

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